Monthly Archives: setembro 2018

Leilão do pré-sal teve todas as áreas arrematadas, com arrecadação de R$ 6,8 bilhões

Todas as quatro áreas ofertadas na 5ª Rodada do leilão de áreas para exploração do petróleo do pré-sal, realizada nesta sexta-feira no Rio, foram arrematadas. O bônus total arrecadado chegou a R$ 6,8 bilhões. O investimento mínimo total foi de R$ 1 bilhão. O certame vai render ainda R$ 180 bilhões em royalties, participações especiais e tributos federais ao longo dos 35 anos de contrato, segundo estimativas da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O ágio médio ficou em 171%. Com isso, a ANP elevou a previsão de arrecadação de royalties e participações especiais ao longo dos 36 anos de contrato para R$ 240 bilhões, bem acima da previsão inicial de R$ 180 bilhões.

Além do impulso em consequência à realização das eleições, o apetite das petroleiras foi estimulado também pela alta do barril do petróleo, que superou a barreira dos US$ 80, e dos avanços recentes na legislação, incluindo a flexibilização de regras de conteúdo local e o fim da obrigatoriedade de a Petrobras atuar como operadora única. Boa parte das empresas aposta na tradição do Brasil respeitar os contratos fechados na área do petróleo.

O primeiro bloco a ser oferecido foi Saturno, na Bacia de Santos, com bônus fixo de R$3,125 bilhões. A área foi arrematada por Shell e Chevron. O consórcio ofereceu um óleo lucro de 70,2%. O óleo lucro mínimo era de 17,54%. O consórcio vai investir pelo menos R$250 milhões.

Foram dois consórcios. A Exxon fez consórcio com a QPI Brasil, do Catar. O outro consórcio formado foi entre a Shell e a Chevron, com 50% cada. A Petrobras não participou.

A área de Titã, no pré-sal da Bacia de Santos, foi a segunda a ser leiloada e novamente não contou com a participação da Petrobras. O bloco foi arrematado pelo consórcio formado entre Exxon e QPI. O óleo lucro foi de 23,49%, maior que o óleo lucro mínimo de 9,53%. O bônus fixo da área foi de R$3,125 bilhões. O investimento mínimo será de R$ 250milhões.

Apresentaram proposta dois consórcios. Shell se uniu à colombiana Ecopetrol, com 50% cada. O outro consórcio foi novamente a Exxon e a QPI, com 64% e 36%, respectivamente

A área de Pau-Brasil, no pré-sal da Bacia de Santos, foi a terceira área a ser ofertada. O bloco foi arrematado por BP, Ecopetrol e CNOOC. O óleo lucro ofertado foi de 63,79%, acima do óleo lucro mínimo de 24,82%.

A área recebeu duas ofertas. Houve consórcio entre BP, Ecopetrol e CNOOC. A outra oferta foi formada por Petrobras, Total e CNODC (China).

A área de Sudoeste Tartaruga Verde, no pré-sal da Bacia de Campos, recebeu apenas uma proposta, feita pela Petrobras, que exerceu o direito de preferência, como já havia anunciado. A estatal levou com o óleo lucro mínimo, de 10,01%.

BÔNUS ESTIMULA COMPETIÇÃO

Doze petroleiras foram habilitadas a participar, incluindo, além da Petrobras, companhias da China, EUA, França, Noruega, Reino Unido, entre outros. No regime de partilha, a produção pertence à União, que ressarce a petroleira pelos custos de exploração e produção. Neste modelo, o bônus de assinatura é fixo.

A empresa vencedora é a que oferece o maior percentual de óleo-lucro, que corresponde ao volume de petróleo destinado à União, após o desconto de gastos de exploração e produção. Serão ofertados três blocos na Bacia de Santos (Saturno, Titã e Pau Brasil) e um na Bacia de Campos (Sudoeste de Tartaruga Verde).

A Petrobras tem direito de decidir previamente se pretende atuar como operadora do bloco. O único bloco no qual ela exerceu esta opção foi o de Sudoeste de Tartaruga Verde. As reservas nesta área são interligadas ao campo de Tartaruga Verde, no pós-sal, já operado pela Petrobras.

CNI DEFENDE NOVOS LEILÕES

O resultado do leilão foi considerado “um sucesso” pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em nota, o presidente da entidade, Robson Andrade, defendeu que o próximo presidente do país, a ser eleito no mês que vem, continue com os leilões, por considerar que isso ajudará a economia brasileira a se recuperar.

“A CNI defende que o próximo governo continue a leiloar áreas do pré-sal, pois a exploração do petróleo gerará recursos expressivos e colocará o país no caminho da recuperação econômica”, disse Andrade.

Segundo a CNI, a arrecadação de R$ 6,82 bilhões na 5ª Rodada de Licitações de Partilha da Produção e a participação de 12 das principais empresas mundiais do setor de petróleo confirmam o grande potencial do país na produção de óleo. Para a entidade, o resultado do leilão se deve, entre outros fatores, à alteração no marco regulatório do setor, realizada pelo Congresso Nacional em 2016, que retirou a obrigatoriedade da Petrobras de ser operadora única dos campos de petróleo e gás do pré-sal.

“Os benefícios serão revertidos para o país, na forma de impostos e royalties”, diz um trecho da nota.

Fonte: O Globo

Ecopetrol é primeira latino-americana a entrar como sócia no pré-sal

A colombiana Ecopetrol foi a primeira empresa da América Latina a entrar como sócia em uma área no pré-sal brasileiro. A estatal integrou com 20% o consórcio que terá a BP como operadora (50%) e a chinesa CNOOC com 30%.

“Para a Ecopetrol a importância [desse leilão] é a de entrar na província mais importante do offshore mundial hoje em dia. A Ecopetrol sempre quis aumentar seu portfólio no Brasil, nos qualificamos desde o primeiro leilão de pré-sal, com Libra, e em todos os outros que se seguiram. Estamos contentes”, disse João Clark, diretor da empresa no Brasil.

O executivo disse que agora a empresa terá “um longo caminho de aprendizado e de luta” e elogiou os sócios.

Antes de Titã, a Ecopetrol tinha três blocos exploratórios na margem equatorial. O resultado abriu o apetite da companhia. “Vamos continuar olhando oportunidades no Brasil. A Ecopetrol está decidida a crescer no Brasil”, afirmou.

Fonte: Valor

Leilão consolida posição da Shell no Brasil, diz presidente da empresa

O presidente da Shell Brasil, André Araujo, disse que o resultado da 5ª Rodada do pré-sal reforça o interesse pelo país e consolida definitivamente a participação da empresa no setor de óleo e gás. “É mais um passo [da Shell] de acreditar no país e eu acho que esse foi um trabalho muito forte do nosso time junto com os parceiros do consórcio”, disse Araujo.

A Shell e a Chevron competiram com a ExxonMobil e a QPI nas áreas de Saturno e Titã, levando a melhor em Saturno. “Estou muito feliz com esse resultado, obviamente era uma grande imprevisibilidade do resultado com grandes companhias participando e no final do dia a gente levou o bloco de Saturno como operadores”, disse.

Sobre as eleições, Araujo lembrou que a Shell opera no Brasil há 105 anos e nesse período a companhia já viveu muita volatilidade. “Tenho falado muito a partir de 2013 que esse é um país que respeita contratos e continuamos avançando nas nossas apostas para o país. O Brasil tem muitas vantagens para quem está acompanhando o trabalho da Shell e vocês sabem que estamos abrindo várias oportunidades, não só na área de óleo e gás, como também em outros segmentos e o pais é abençoado por oportunidades”, disse.

Com relação ao próximo governo, o recado foi na mesma direção. “O que a gente espera é que o próximo governo continue entendendo o papel e a contribuição que a indústria de óleo e gás traz para o país e continue mantendo regras cada vez mais claras e previsibilidade. É isso que a gente precisa”.

O presidente da Shell explicou ainda que o recente aumento do preço do petróleo não influenciou a decisão da companhia de participar do leilão. “As nossas decisões não são feitas com base no preço do dia e não são feitas com base no câmbio do dia. Esses investimentos são para 30 anos e a gente faz as nossas análises internas e os nossos cenários sobre comportamento de óleo e preço e a gente não vai tomar decisões desse porte baseadas num dado muito recente e de dados que a gente sabe que vão ser muito voláteis. A gente sempre olha riscos do país, mas o Brasil tem demonstrado claramente o interesse de atrair investimentos para cá”, disse.

Fonte: Valor

Participação em leilão do pré-sal foi aposta em longo prazo, diz BP

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A participação da britânica BP na 5ª Rodada de Partilha de Produção do Pré-sal, promovida nesta sexta-feira pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), foi aposta em longo prazo da empresa no setor no país, na análise de Felipe Arbelaez, presidente regional da BP na América Latina.

Sobre a expectativa de mudanças no setor, no Brasil, depois das eleições, Arbelaez repetiu o que grande parte das companhias do setor de petróleo costumam dizer sobre o tema. “Temos uma visão de longo prazo. Nós operamos em vários países pelo mundo, onde eleições e ciclos políticos ocorrem, e temos uma visão que considera 30 anos de investimentos. E o Brasil tem um longo passado de respeito às leis e aos contratos. Não estamos preocupados com a eleição [presidencial] e esperamos que o novo governo mantenha os regulamentos anunciados recentemente, que se refletiram no apetite e no interesse da indústria [pelos leilões]”, disse o executivo, dizendo não acreditar que o leilão de hoje tenha sido a última oportunidade de entrada no pré-sal.

Para Arbelaez, a entrada da companhia no pré-sal como operadora é um desafio interessante que a BP vai enfrentar no Brasil. Segundo ele, a companhia tem tecnologia e conhecimento sobre a geologia do pré-sal, já perfuramos estruturas semelhantes em outras regiões do mundo.

A BP será operadora de Pau-Brasil, na Bacia de Santos, com participação de 50%, tendo como sócios a colombiana Ecopetrol (20%) e a chinesa CNOOC (30%). Com esse resultado a empresa britânica passa a ter participação em 25 blocos no Brasil.

Questionado sobre o fato de não ter a Petrobras como parceira, Arbelaez disse que “tem uma enorme respeito” pela estatal, que considera uma “empresa fantástica” e líder na operação do pré-sal no Brasil. “Estamos com ela em outros blocos, temos uma ótima relação de trabalho com ela e esperamos cooperar no futuro em tecnologia”, disse o presidente regional da BP.

Após a 5ª Rodada, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, disse não ver risco de retomada pelo próximo governo das áreas exploratórias de petróleo e gás, inclusive no pré-sal, notando não haver risco de uma revisão dos contratos firmados até hoje. “O Brasil tem uma tradição de segurança jur´diica. O que está assinado será respeitado”, afirmou.

Fonte: Valor

Consórcios liderados por Exxon e Shell levam maiores áreas de leilão do pré-sal

O governo vendeu as quatro áreas do pré-sal oferecidas em leilão nesta sexta (28) e garantiu arrecadação de R$ 6,8 bilhões com o pagamento de bônus de assinatura.

Consórcios liderados pela americana Exxon e pela anglo-holandesa Shell levaram as duas maiores áreas. A Petrobras disputou duas áreas, mas levou apenas uma.

O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gas e Biocombustíveis), Decio Oddone, disse que o resultado foi extraordinário. “Foi o primeiro leilão com 100% das áreas concedidas”, afirmou. O ágio médio foi de 171% e os investimentos obrigatórios nas áreas são de pelo menos R$ 1 bilhão – o valor corresponde apenas ao investimento exploratório mínimo para cada área.

Foi o último leilão de petróleo do governo Temer, que arrecadou R$ 27 bilhões com a concessão de áreas exploratórias durante o mandato iniciado em 2016. Governo e petroleiras defendem que o interesse demonstrado pelos resultados justificam a manutenção das regras pelo próximo presidente.

“O leilão mostra que a competição traz o melhor resultado para a sociedade”, disse o secretário-executivo do MME (Ministério de Minas e Energia), Márcio Félix.

Temer pôs fim à exclusividade da Petrobras no pré-sal, permitindo que outras empresas disputem áreas com a estatal, reduziu os compromissos de compras no país e estendeu benefícios fiscais ao setor.

“A gente espera que o próximo governo continue entendendo o papel do setor de óleo e gás para o Brasil”, disse o presidente da Shell, André Araújo. Em consórcio com a americana Chevron, a companhia levou a área de Saturno, com um bônus de R$ 3,125 bilhões.

Nos leilões do pré-sal, os bônus são fixos. Vence a disputa o consórcio que se comprometer a entregar o maior volume de petróleo ao governo durante a vida útil do projeto.

Para Saturno, Shell e Chevron ofereceram 70,20% da produção ao governo, após descontados os custos de produção – conceito conhecido como óleo-lucro – um ágio de 300,23% com relação ao preço mínimo.

O consórcio disputou ainda a área de Titã, também com bônus de R$ 3,125 bilhões, mas perdeu para Exxon e QPI, do Qatar, que ofereceram 23,49% do óleo-lucro, ágio de 146,48%.

A britânica BP fez sua estreia como operadora do pré-sal ao vencer a disputa com consórcio da Petrobras pela área de Pau-Brasil, com bônus de R$ 500 milhões e óleo lucro de 24,82%, ágio de 157,01%.

“Estamos empolgados”, disse o presidente regional para a América Latina da BP, Felipe Arbelaez. Ele também disse não temer mudanças abruptas após a eleição. “O Brasil tem um histórico de respeito aos contratos.”

Sozinha e sem disputa, a estatal levou a área de Sudoeste de Tartaruga Verde, com bônus de R$ 70 milhões e óleo-lucro de 10,01%, o mínimo estabelecido. A área é adjacente a reserva já operada pela estatal,

O presidente da companhia, Ivan Monteiro, esteve no leilão mas saiu sem dar entrevista.

FICO

Na abertura do leilão, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, pediu ao diretor-geral da ANP que permaneça na agência após a mudança de governo “para defender o modelo”.

Oddone foi nomeado por Temer em dezembro de 2016 e seu mandato expira em 2020. “Tenho mandato até 23 de dezembro e vou cumpri-lo”, disse ele, em entrevista após o leilão.

“Não sou candidato a reeleição, mas pretendo cumprir o mandato”, reforçou.

Fonte: Folha SP

Exxon foca perfurações no Brasil e vê oportunidades em bioenergia e gás

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A norte-americana Exxon Mobil está agora focada em realizar perfurações no Brasil, após aumentar de forma importante o seu portfólio no país, afirmou a presidente da companhia no Brasil, Carla Lacerda, durante a conferência Rio Oil & Gas.

“Como muitos aqui sabem, ao longo do último ano aumentamos muito o nosso portfólio no Brasil, era apenas modesto e agora estamos crescendo”, disse a executiva durante um debate no congresso, realizado no Rio de Janeiro.

Em uma rara declaração pública, a executiva pontuou que há oportunidades no país além do petróleo.

A empresa poderá explorar no futuro possíveis investimentos relacionados a geração elétrica, gás e biocombustíveis, disse Carla, sem entrar em detalhes, já que ainda não existem planos concretos. Conforme ela, a companhia está trabalhando também com pesquisa e desenvolvimento.

“Eu apenas gostaria de destacar que isso é futuro e aspiracional, nós estamos principalmente na fase de exploração (de petróleo), por isso minha grande tarefa é perfurar alguns poços e então nós poderemos começar a produção algum dia”, afirmou Carla, que deixou o evento sem falar com a imprensa.

Em pouco tempo, a Exxon tornou-se um importante player da indústria de petróleo do Brasil, destacando-se como uma das grandes petroleiras vencedoras nos recentes leilões do pré-sal, juntamente com a Petrobras, passando de um portfólio de dois para 25 blocos.

A empresa também está inscrita para participar da 5ª Rodada do pré-sal, sob regime de partilha de produção, marcada para sexta-feira.

Fonte: Reuters

Plano da Petrobras deve prever retorno de contratação de plataformas próprias em 2023

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O Plano de Negócios da Petrobras para o período de 2019 a 2023, cuja publicação tende a ser no início de dezembro, deverá prever o retorno da contratação de construção de plataformas próprias a partir de 2023, graças à melhora das condições financeiras da petroleira, afirmou à Reuters um executivo da empresa.

Nos últimos anos, a Petrobras optou por arrendar plataformas no mercado com grandes companhias, como SBM Offshore e BW Offshore.

“A gente vai construir plataforma independentemente de quem for o presidente. A gente não estava construindo plataforma porque a gente estava duro… Agora, a Petrobras está ficando financeiramente mais saudável, então ela vai voltar a fazer plataforma”, afirmou o diretor-executivo de Desenvolvimento da Produção e Tecnologia da empresa, Hugo Repsold.

As declarações foram dadas na noite de quarta-feira, após o evento Rio Oil & Gas, no Rio de Janeiro.

“Todas as plataformas que a gente precisa no Plano de Negócios até 2022 já estão contratadas, em 2023 pode ter plataforma própria”, concluiu.

Não é possível ainda saber ainda quanto dessas futuras plataformas podem ser construídas no Brasil. Mas regras de conteúdo local, em percentuais definidos em contrato, exigem que parte delas tenham conteúdo local.

Fonte: G1

PL prevê criação de taxa sobre navios fundeados na Baía de Guanabara

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A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) adiou, por falta de quórum, a votação do projeto de lei 2042/2016, que institui uma taxa de fiscalização da atividade de fundeio na Baía de Guanabara. A TFFBG, segundo o PL, será cobrada de cada embarcação que permanecer fundeada na baía, em uma proporção de 5% do valor cobrado pelo fundeio na tabela da companhia docas. O valor original era 50%, mas foi reduzido por meio de emendas. A arrecadação, diz a proposta, deverá ser feita pela Secretaria de Fazenda do estado e destinada exclusivamente ao fundo especial de controle ambiental (FECAM), para investimentos em programas de despoluição na Baía. O tema foi discutido na sessão plenária que ocorreu na tarde desta quinta-feira (27).

A Comissão Portos, que congrega entidades de segmentos que dependem das atividades portuárias, apresentou recentemente aos parlamentares uma nota técnica em que propõe o arquivamento urgente do PL a fim de evitar a fuga da atividade econômica na movimentação de cargas e nas atividades de apoio logístico às unidades de produção de petróleo e gás na zona econômica exclusiva, importantes fontes de geração emprego e de impostos para o estado.

O setor argumenta que essa taxa, teoricamente, serviria para fiscalização ambiental, mas que para tal já existe a autoridade marítima e convenções internacionais das quais o Brasil é signatário. As empresas consideram a criação dessa taxa ilegal e desalinhada com recentes investimentos públicos e privados em dragagem e para ampliação de terminais que aumentaram a atividade econômica.

O Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) alega que, não bastassem todos os custos que oneram o setor, uma nova taxa atingiria os segmentos de cabotagem, apoio e até longo curso. “Vai ser muito danoso e espantaria a carga e a atividade do Porto do Rio. É impactante para terminais, para navegação, para O&G (…) para todo mundo”, comentou o vice-presidente do Syndarma, Luis Fernando Resano.

Ele acrescentou que não são as embarcações que utilizam a Baía de Guanabara que causam sua poluição. Resano alertou que a aprovação desse tributo pode abrir precedente em outros estados que queiram aumentar receitas “A finalidade dessa taxa é a despoluição da Baía de Guanabara, como se os navios fossem os grandes poluidores dela. Vai ser um ônus sem a garantia de que a baía será despoluída efetivamente”, questionou.

O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), que apresentou o pedido de urgência para a apreciação de hoje, quer que esse projeto retorne e à votação ainda em 2018. Ele considera que tratar da despoluição e da destruição da biodiversidade requer uma aborgadem sobre aumentar o tratamento e a coleta de esgoto dos municípios no entorno da Baía e da fiscalização dos navios ali fundeados. Serafini acredita que as empresas de navegação não querem que haja fiscalização ambiental nessa atividade porque despejam resíduos e combustível na Baía de Guanabara.

O deputado Carlos Osório (PSDB), que é contra a criação do tributo nesse momento, defendeu que o tema seja avaliado na próxima legislatura. Ele considera que a taxa aumentaria a perda de competitividade do Rio de Janeiro frente a outros estados. “O Porto do Rio perde carga sistematicamente por falta de competitividade. Se essa taxa for aprovada, será a única no Brasil”, analisou.

 

Por Danilo Oliveira
(Da Redação)

Petrobras: Campos tem potencial para mais 1 bi de barris em reservas

A Petrobras vê potencial para elevar em 1 bilhão de barris de óleo equivalente as reservas e recursos de seus principais ativos na Bacia de Campos, disse nesta segunda-feira o engenheiro de reservatórios da companhia, Luiz de Abreu Neto. A estimativa contempla um conjunto de seis campos: Albacora Leste, Barracuda e Caratinga, Marlim, Marlim Sul, Marlim Leste e Roncador.

Segundo ele, a petroleira pretende aumentar suas reservas por meio de novas descobertas e da revitalização de campos maduros. Neto destacou que o programa começou a ser desenvolvido em 2017 e, no primeiro ano de execução, garantiu um aumento de 6% nas reservas dos campos. Houve, ainda, um incremento de 22 mil barris diários na produção conjunta desses campos.

O engenheiro também mencionou que as novas descobertas feitas nas proximidades desses campos garantem um retorno rápido, devido à infraestrutura já existente nessas áreas. “Como esses campos estão em declínio, há espaço ocioso nas plataformas. É um óleo rápido [de se produzir]”, disse, durante apresentação na Rio Oil & Gas.

Fonte: Valor

Petróleo brasileiro será beneficiado com novas regras para combustível marítimo, diz Petrobras

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O gerente executivo de Marketing e Comercialização da Petrobras, Guilherme França, disse nesta segunda (24) que a estatal vê grandes oportunidades com a implementação, a partir de 2020, de novas regras para o combustível de navios.

Segundo ele, o petróleo brasileiro e as refinarias da estatal serão mais valorizados com a mudança, que reduz o nível de enxofre no combustível.

As regras foram estabelecidas pela IMO (sigla em inglês para a organização internacional do transporte marítimo). A partir de 1º de janeiro de 2020, o combustível para navios terá que ter um máximo de 0,5% de enxofre, contra o limite de 3,5% atuais. A medida é vista com preocupação pelo setor de transporte, diante do impacto nos custos.

França diz que o petróleo do pré-sal, que já tem percentual de enxofre abaixo dos novos limites, ganhará valor no mercado global. Além disso, após um ciclo de investimentos entre 2004 e 2014, as refinarias da estatal foram preparadas para produzir derivados mais nobres, com menos poluentes.

Ele estima que, em refinarias complexas como as da Petrobras, a margem de refino deve dobrar, chegando a US$ 14 por barril. “Prevejo uma volta à era de ouro do refino”, afirmou o executivo. Hoje a Petrobras fornece combustível de navegação apenas no Brasil, em 12 pontos de abastecimento na costa.

Para ganhar mercado internacional, a Petrobras prepara para 2019 sua volta para Cingapura, um dos maiores consumidores de combustíveis para navios, de onde saiu em 2015 alegando falta de rentabilidade das operações. “Queremos nos posicionar no mercado global de bunker [o nome comercial do combustível de navegação]”, disse França, em palestra na feira Rio Oil & Gas, no Rio.

Atualmente, a Petrobras vende 4,5 milhões de toneladas do combustível por ano, o equivalente a 2% do comércio global. O executivo disse que, apenas com os navios que passam pelo Brasil, pode elevar o volume a 9 milhões de toneladas por ano. Ele não quis estimar o ganho de mercado ao retornar a Cingapura.

As novas regras foram estabelecidas pela IMO com o objetivo de reduzir a poluição no transporte de mercadorias por navios. Para o diretor global da consultoria Platts, Esa Ramasay, porém, a medida pode afetar a economia mundial, devido ao potencial inflacionário. Segundo ele, o custo do combustível para navios subirá 50%.

“As empresas de navegação certamente repassarão esse custo adicional”, disse ele. “Tudo que é produzido no mundo é transportado em navios. Então, se o custo do transporte sobe, todos seremos afetados”, completou.

Fonte: Folha SP