Monthly Archives: maio 2018

Demanda por gás pode desacelerar extração de óleo do pré-sal no futuro

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A extração de óleo das reservas do pré-sal poderá ser mais lenta que a possível por causa da falta de um mercado pujante do gás que sai dos campos, segundo associações e técnicos do segmento.

Os campos de pré-sal têm os dois tipos de matéria-prima e devem ser extraídos de forma conjugada —ou seja, se não houver vazão para o gás, atrapalha a saída do óleo.

“As reinjeções (espécie de devolução de gás às reservas) já têm aumentado nos últimos meses”, afirma Lívia Amorim, advogada do Souto Correa.

Projeções da indústria petroleira apontam que o problema pode se agravar a partir de 2023.

O consumo só será suficiente se o preço for baixo —e isso dependerá do custo da infraestrutura de transporte, processamento e distribuição, diz Edmar Almeida, da UFRJ.

“Vai haver demanda, mas não no preço praticado hoje. Gás pode substituir quase todas as outras fontes de energia, mas aqui só existe competição com óleo combustível e GLP (gás de cozinha).”

Os agentes precisam “encarar a realidade” e formular um plano para dar vazão ao gás do pré-sal, afirma.

“O gás é caro porque existe um único supridor, a Petrobras, e não há infraestrutura para os outros agentes”, afirma Marcelo Mendonça, gerente da Abegás (associação das distribuidoras).

Levar o gás até o litoral por meio das rotas de escoamento é um gargalo, diz Juliana Rodrigues, da Abrace (associação dos consumidores).

“Talvez elas possam ser cedidas a petroleiras que não têm participação na infraestrutura com pagamento para usar.”

A Petrobras é dona, sozinha ou em joint-ventures, de todos os canais que existem hoje. Procurada, a estatal preferiu não se pronunciar.

Fonte: Folha SP

Consórcio procura fornecedores fluminenses para a construção de quatro navios para a Marinha

Huinink afirma que Damen procura parcerias de longo prazo - Foto: Paula Johas

Huinink afirma que Damen procura parcerias de longo prazo – Foto: Paula Johas

Representantes do consórcio formado pelas empresas Damen Shipyards, SAAB e Wilson Sons se reuniram com especialistas do Sistema Firjan como o objetivo de prospectar fornecedores para elaborar uma proposta para participar da licitação do projeto Classe Tamandaré, da Marinha. A iniciativa prevê a construção de quatro corvetas de 2,7 mil toneladas com ampla carga digital, sistemas e armamento de última geração.

Gerente de Conteúdo Local da Damen, Wolter ten Bokkel Huinink detalhou a atuação do estaleiro holandês. De acordo com ele, por entender a importância da indústria nacional e os requerimentos para de construção local, a empresa procura parcerias de longo prazo com os fornecedores locais de cada país que tem negócios.

“Queremos usar a mão de obra da região, bem como trocar conhecimentos e inovação com as empresas e institutos de pesquisa. Nosso entendimento é que para termos sucesso precisamos de um ecossistema forte. Até porque os nossos navios precisarão de manutenção”, explicou.

Alencar Leal, responsável de vendas da SAAB, empresa do setor de defesa, destacou o comprometimento do consórcio para entregar embarcações de qualidade: “Junto a bons fornecedores, nosso consórcio quer entregar a melhor solução para a Marinha”.

Segundo o consórcio, a construção das 4 embarcações durará até oito anos e meio. As empresas têm como objetivo usar 30% de conteúdo local na fabricação da primeira e ir aumentando até chegar a 100%. As principais demandas para este projeto são sistemas elétricos, geradores, bombas, válvulas, sistemas de ar-condicionado, motores elétricos, tintas, aço, entre outros.

“Essa é uma grande oportunidade para os fornecedores brasileiros, em especial os fluminenses, não apenas de fechar negócios, mas também de desenvolverem inovação”, afirmou Renata van der Haagen, coordenadora de Relacionamento Estratégico de Petróleo, Gás e Naval da Federação.

O consórcio tem até 18 de junho para submeter sua proposta de trabalho à Marinha. Os fornecedores interessados em participar do projeto podem entrar em contato com a Damen pelo e-mail damen.tamandare.procurement@damen.com.

Para mais informações, os associados da Firjan podem entrar em contato via petroleo.gas@firjan.com.br.

O encontro ocorreu na segunda semana de maio na sede da Firjan.

Antaq aprova repactuação do contrato da Libra em Santos e TUP em Paranaguá

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A Antaq aprovou na última reunião colegiada, 17/05, a celebração de contrato de adesão entre a empresa Novo Porto Terminais Portuários Multi Cargas Logística Ltda. e o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil visando instalação de Terminal de Uso Privado, no porto de Paranaguá/PR. No porto de Santos (SP), a agência aprovou o projeto executivo para repactuação do contrato da Libra Terminais, em Santos.

No caso do Novo Porto Terminais Portuários Multicargas e Logística Ltda., a Antaq observou que o terminal atendeu aos requisitos legais e normativos, estando, dessa forma, apta a celebrar, junto ao poder concedente, o correspondente Contrato de Adesão, visando à outorga de autorização para exploração de instalação portuária, na modalidade de TUP. O terminal possui uma área total de cerca de 2 milhões de metros quadrados. A previsão é transportar e armazenar granéis líquidos, sólidos, carga geral e conteinerizada.

Ainda em relação a Paranaguá, a Antaq determinou reajuste do contrato do Terminal de Contêiner de Paranaguá (TCP). De acordo com o voto relatado pelo Diretor Francisval Mendes, caberá a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) promover a compensação financeira dos valores pagos indevidamente pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá – TCP, seja através de pagamento à vista ou compensação em futuros valores do referido arrendamento.

No caso da repactuação da Libra Terminais, a decisão da Antaq estabeleceu que ficará a cargo da Codesp autorizar a empresa sobre o início das obras de construção de um novo armazém no terminal (intitulado T37), a construção de laje no enclave e o reforço do terminal T33. O valor do investimento está estimado em R$ 750 milhões.

Fonte: Antaq

 

Estaleiro chinês entrega a plataforma a P-75 para a Petrobrás depois de integrar módulos construídos no Brasil

A indústria naval tem muito a lamentar o que está acontecendo em seu segmento no Brasil.  Ao mesmo tempo em que o mercado recebia a informação de que a Petrobrás pode adiar a contratação de quatro FPSOs, a estatal comemorava na China o recebimento da plataforma P-75, que  gerou milhares de empregos no exterior. Esta entrega, graças principalmente à Petrobrás, é praticamente a pá de cal no Polo Naval de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde os módulos da plataforma foram montados. Por lá, não há mais obra. Há outros atores nesta cena de filme de terror que merecem o peso dessa responsabilidade sobre seus ombros. Um deles é o próprio governo federal e os interesses políticos do ex-ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Deputado federal que ficou à frente da pasta, mas que estava mais preocupado com a sua possível candidatura ao governo de seu Estado.

Fernando Coelho Filho, como se diz no interior, fez o jogo do capão. Fez o que queria os mais fortes na ocasião. Ao invés de buscar tornar as empresas brasileiras mais competitivas, reduzindo a carga dos impostos altíssimos ou desburocratizando muitas exigências dos inúmeros órgãos de controle, buscou apenas se sujeitar às exigências imediatas das empresas petroleiras, através das gestões políticas do IBP, quando ainda estava sob a batuta de Jorge Camargo. Teve ainda  um toque especial de apoio da própria Agência Nacional do Petróleo (ANP) e de seu presidente Décio Oddone.

A agência organizou discussões públicas, mas fez exatamente o contrário do que a cadeia de fornecedores da indústria pediu. Sem falar na decisão efetiva do presidente da Petrobrás, Pedro Parente, o maior incentivador para se levar as obras para o exterior. Culpa da China? Efetivamente, não. Responsabilidade maior dos atores brasileiros. Cada um defendendo seus interesses, com uma política de sobrevivência pessoal. O país, as empresas e os empregos no Brasil, não. Ficaram em segundo plano. O resultado disso tudo pode ser visto como um trailer da vida real que a população do Rio de Janeiro está vivendo. Um outro final poderá ser conhecido quando soubermos a lista dos apoiadores da candidatura ao governo de Pernambuco. Essa lista poderá revelar muitas histórias.

Recentemente, o diretor de  Desenvolvimento da Produção e Tecnologia Petrobrás, Hugo Repsold, disse que vislumbrou o que seria um mar de contratações com a construção de plataformas de petróleo. Ele disse que a companhia “planejava ir às compras. Com a melhora de condições financeiras e a redução do endividamento, a estatal quer voltar a ter plataformas próprias e não mais alugar como tem feito nos últimos seis anos”. Um balão de ensaio vendendo um otimismo que não se sustenta é tudo o que os empresários brasileiros não precisam neste momento de crise profunda. A empresa não vai fazer essas contratações por agora. Especialmente por esperar  ter  um novo trimestre com um lucro ainda maior do que o primeiro: Dólar alto, barris de petróleo em alta, privatizando ativos estratégicos, repassando o aumento do petróleo na veia do consumidor e sem gastar nada em investimentos. A fórmula certinha para o lucro quase dobrar. Essas talvez sejam as maiores razões para o adiamento de contratações, da não assinatura de contratos já definidos pelas licitações, não dando  autorização para que as obras recomecem, o que acenderia um pavio de esperança nas indústrias da cadeia do petróleo e gás.

Nem a possível pressão, cheia de dedos, feita pelo atual Ministro das Minas e Energia, Moreira Franco, em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro, fez efeito.  Ele disse que o governo quer discutir a política de preços dos combustíveis no país, diante da escalada recente provocada pela alta do preço do petróleo no mercado internacional. Ao constatar que os preços estão subindo demais, ele citou a necessidade de reavaliação dos impostos e admitiu conversas com a Petrobrás para avaliar a política de preços. Desde outubro de 2016, a estatal acompanha as cotações internacionais e a variação do câmbio. Em julho de 2017, passou a realizar reajustes diários para acompanhar mais de perto o mercado. Como Pedro Parente condicionou ao Presidente Temer a sua contratação a não interferência do governo, e recebeu bandeira verde por isso, a resposta da companhia foi anunciar um novo aumento nos combustíveis a partir  de sábado (19). Com esta atitude, Parente deu uma banana ao que falou o ministro, aquele que deveria ser seu superior hierárquico. Como se dissesse: “se gostar é desse jeito. E se não gostar é do mesmo jeito”. Pedro Parente já tem um novo emprego certo. Seu foco parece não ser mais a Petrobrás, mas a maior indústria de carnes do mundo.

A P-75 começará a navegar rumo ao Brasil nos próximos dias. A viagem deve demorar cerca de 30 dias. Ela vai ficar em testes no campo de Búzios, área da cessão onerosa, pré-sal das Bacia de Santos.  A plataforma tem uma capacidade de produzir 180 mil barris de petróleo diariamente e seis milhões de m³ de gás natural.

Fonte: Jornal Diadia

Prefeito Dr. Aluízio assina alvará de construção de importante empreendimento industrial em Macaé

Na última sexta-feira, 18, o Prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB), deu novo passo para fomentar o desenvolvimento econômico do município, com a assinatura do alvará que autoriza a construção do Complexo Logístico e Industrial de Macaé.

A expectativa é de que, no local, sejam instaladas as 3 termoelétricas, Vale Azul 1, Vale Azul 2 e Vale Azul 3, entre outras instalações industriais, como unidades de processamento de gás natural e refinarias.

“Para se ter uma ideia, somente a Vale 2 criará em torno de 1.500 empregos, com investimentos na ordem de 1 bilhão de dólares. Elas serão movidas a gás natural provenientes do pré-sal que chegará a Macaé pelo gasoduto Rota 2,  já existente”, detalhou o governo municipal.

Entre as empresas envolvidas no projeto do Clima Macaé, que é de responsabilidade da Agrivale Incorporação e Construção S.A., estão a EBTE Engenharia, mesma empresa que adquiriu, da Queiroz Galvão, os direitos sobre as obras e a operação do Terminal Portuário de Macaé (Tepor).

Ainda segundo a prefeitura, a ideia é que os 2 empreendimentos sejam ligados através da futura Rodovia Transportuária, que conectará o São José do Barreto, bairro do novo porto, a RJ-168, facilitando o acesso de cargas às estas áreas industriais e à saída do município pela BR-101, além de reduzir drasticamente o número de veículos pesados dentro do perímetro urbano da cidade.

Fonte: Clique Diário

Petrobras acelera privatização e já soma R$ 27,2 bi em ativos vendidos

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A política de privatizações iniciada no segundo mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) e acelerada pelo governo de Michel Temer (MDB) já soma R$ 27,2 bilhões em ativos da Petrobras vendidos desde 2015. E a tendência é que o fatiamento e a venda da estatal se intensifique ainda mais.

O processo de desinvestimento –forma como a empresa se refere ao seu desmonte– vendeu um valor quatro vezes maior de ativos em 2017, sob Temer, do que em 2015, sob Dilma. Há três anos, foram vendidos R$ 2,59 bilhões em patrimônios sob posse da estatal, contra R$ 9,9 bilhões no ano passado.

Os dados foram levantados por Cloviomar Cararine, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e assessor da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Segundo o especialista, os prejuízos trazidos pela operação Lava Jato forjaram o cenário para justificar a privatização da empresa, mas a ascensão de Temer à presidência acelerou muito o processo, uma vez que voltou ao Palácio do Planalto uma estratégia de governo que já deu errado na década de 1990: entregar patrimônio público para gerar crescimento econômico e ajudar as finanças públicas.

Para Cararine, a Petrobras deixou em segundo plano a articulação entre energia e projeto nacional. Ele afirma que as privatizações previstas pelo plano de negócios 2017-2021 apontam para a retirada completa de investimentos da empresa das áreas de petroquímica, biodiesel, termelétricas e fertilizantes. Nas áreas de transporte e logística também há grandes reduções.

“Com certeza há uma mudança muito forte da gestão Bendine para a gestão Pedro Parente. Diria que ela [Petrobras] está perdendo espaço em todos os setores. Em Exploração e Produção e em Refino ela ainda tem alguma coisa, mas nas outras áreas não, ela abriu mão completamente”, descreve.

No exterior, a política de desinvestimento da Petrobras já somou US$ 5.95 bilhões. A venda mais expressiva foi Petrobras Energia Peru S.A., que teve 100% das ações compradas pela China National Petroleum Corporation (CNPC) por US$ 2.64 bilhões.

Além do Peru, a Petrobras já negociou ativos em outros oito países: Angola, Argentina, Bolívia, Chile, Estados Unidos, Japão, Tanzânia e Uruguai.

A venda de ativos em território nacional já soma US$ 18,85 bilhões. A maior venda aconteceu na área de transporte. A Petrobras vendeu 90% das ações da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) por US$ 5.08 bilhões para a Nova Infraestrutura Fundo de Investimentos em Participações (FIP), ligada à Brookfield Infrastructure Partners (BIP), que tem sede em Bermuda.

Dada a transnacionalização do capital na atual economia, é difícil ranquear com precisão os países que mais tem se aproveitado da privatização da Petrobras. Nesse sentido, o caso da FIP é o mais emblemático. Em outro negócio, a estatal vendeu os 35% da participação que tinha no Bloco BC-10, no Parque das Conchas, na Bacia de Campos (RJ), por US$ 1,63 bilhões para a anglo-holandesa Shell e a indiana ONGCC.

A empresa que, sozinha, mais investiu para adquirir ativos da Petrobras é uma estatal. A norueguesa Statoil desembolsou US$ 5,4 bilhões para adquirir 66% de participação no bloco exploratório BM-S-8, na área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos (SP), e 25% da participação no Campo de Roncador, na área norte da Bacia de Campos (RJ).

Fonte: GGN

Câmara autoriza PPSA a comercializar diretamente produção do pré-sal

Após dois dias de discussão, a Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira a Medida Provisória (MP) 811, que permite à Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA) comercializar diretamente o petróleo extraído do pré-sal que fica com a União. O texto, que perde a validade se não for votado até o fim do mês, segue agora para o Senado Federal.

O projeto, polêmico, teve forte obstrução da oposição, que argumentava que o governo mexia no fundo social abastecido com recursos do pré-sal, mas, após horas de discussão, os parlamentares chegaram a acordo para aprovar a proposta com mudanças e liberar o plenário para votar a urgência de um projeto de criação de novos municípios.

Três destaques foram aprovados pelo acordo entre oposição e a base do governo. O primeiro, do PSB, excluiu artigo que dizia que a PPSA só venderia a produção por preço inferior ao de referência estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se não aparecessem interessados na compra. Do contrário, o preço deveria ser o de mercado. Para a oposição, isso impedia a venda de combustível mais barato.

O segundo exclui a previsão de que o CNPE editará uma resolução sobre a nova política de uso energético da produção do pré-sal. E o terceiro destaque retirou artigo que permitia que a União recebesse em dinheiro, e não produção, o excedente em óleo da exploração do pré-sal.

Fonte: Valor

Unidade de gás marca retomada do Comperj e permitirá aumento da produção do pré-sal

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A construção da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN), prevista para começar ainda neste semestre, é apenas uma pequena parte do imenso projeto inicialmente desenhado para o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj). A unidade de gás é essencial para o aumento da produção do pré-sal na bacia de Santos. Parada desde 2015, a obra do Comperj ainda gera custos para a Petrobras.

O complexo na cidade de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, teria ainda duas refinarias e um polo petroquímico. As obras da primeira refinaria foram paralisadas e, para serem retomadas, a Petrobras ainda aguarda um parceiro disposto a investir. A segunda refinaria sequer saiu do papel. E o polo petroquímico foi extinto do projeto.

A UPGN é a primeira grande obra em downstram (área de refino, transporte e distribuição) da Petrobras desde a paralisação completa da construção do Comperj. A suspensão dos trabalhos causou desemprego, crise econômica e alta da violência em Itaboraí, que tem cerca de 230 mil habitantes.

Gás do pré-sal

A unidade de gás de Itaboraí será a maior do país, com capacidade de processamento de até 21 milhões de m³ de gás por dia. Ela integra o projeto Rota 3, destinado ao escoamento da produção de gás natural de campos do pré-sal da Bacia de Santos.

Com a unidade de Itaboraí, a Petrobras vai quase dobrar sua capacidade de processamento de gás do pré-sal, de 23 milhões para 44 milhões de m³ por dia. A previsão de início das operações é o segundo semestre de 2020.

O refino de gás é necessário para aumentar a produção de petróleo. O óleo extraído da camada abaixo do sal é associado a gás, que precisa ser separado do óleo. Tecnicamente, há três possibilidades de escoar esse gás e liberar o petróleo:

queima na plataforma;

injetá-lo novamente nas rochas de onde foi extraído;

Transportar o gás até o continente para refino.

A primeira opção é ambientalmente inviável, já que polui. A segunda, além de também provocar riscos ambientais, pode vir a comprometer a produção do campo. A terceira é a mais segura e, ainda por cima, lucrativa.

Refinado, o gás é transformado em produtos derivados que podem ser vendidos pela Petrobras. Hoje o Brasil é importador de gás, um combustível considerado mais barato e limpo e usado por indústrias e na produção de energia termelétrica.

“A gente não pode produzir o óleo se a gente não pode aproveitar o gás. Então, essa unidade é extremamente importante para que a gente continue tendo estes recordes maravilhosos que a gente está vendo na produção do pré-sal”, afirmou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, em entrevista no ano passado.

Futuro do Comperj é incerto

A Petrobras diz que está em busca de parcerias para concluir as obras da Refinaria Trem 1. Com frequência, empresas chinesas são citadas como parceiras em potencial. No caso da UPGN, a Shandong Kerui Petroleum entra como fornecedora e não como sócia.

Entre os especialistas, no entanto, há muitas dúvidas se o projeto será finalizado e a expectativa é que o Comperj seja reduzido.

“O projeto inicial era megalomaníaco. […] O que de fato se tem lá hoje é uma obra de construção de refinaria parada, e não acredito que a segunda será construída. A única coisa que já foi contratada é a UPGN”, disse o sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

O custo inicial do Comperj era de US$ 6,1 bilhões para a obra de um parque industrial de 45 km² que chegou a empregar 35 mil funcionários. A produção diária prevista era de 465 mil barris de petróleo.

Comperj deveria ser o maior complexo petroquímico do Brasil, mas obra está parada e alvo de investigação (Foto: Infográfico: Wagner M. Paula/G1 ) Comperj deveria ser o maior complexo petroquímico do Brasil, mas obra está parada e alvo de investigação (Foto: Infográfico: Wagner M. Paula/G1 )

Comperj deveria ser o maior complexo petroquímico do Brasil, mas obra está parada e alvo de investigação (Foto: Infográfico: Wagner M. Paula/G1 )

Obra investigada na Lava Jato

A obra do Comperj foi investigada na operação Lava Jato e pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que no fim do ano passado apontou um prejuízo para a Petrobras de US$ 12,5 bilhões com a construção do complexo. Desse total, US$ 9,5 bilhões são atribuídos à gestão temerária do projeto.

Parada, a construção do Comperj continua gerando prejuízos para a estatal, analisa o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e professor do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio Janeiro, Helder Queiroz.

“A pior coisa do mundo é uma obra que para. Se contratou empréstimos que vão fazer correr juros durante a construção, pior ainda”, analisou.

Desde a paralisação, a obra do Comperj já consumiu R$ 2,7 bilhões da Petrobras. Desse valor, “R$ 2,2 bilhões são relativos a 2015, com a desmobilização de contratos da Refinaria Trem 1, que ocorreu de forma gradativa”, afirma a estatal.

Em 2016, foram R$ 352,24 milhões de custos de encerramentos contratuais. A empresa afirma que, em 2017, não foram investidos recurso no Comperj.

Petrobras busca parceiros

Para Queiroz, firmar uma parceria é a melhor alternativa da companhia para pelo menos minimizar os prejuízos do Comperj.

“O ideal ali seria atrair investidores que estão entrando agora no mercado de refino, repartir custos e, lá na frente, também repartir a rentabilidade”.

Para Adriano Pires, a busca por uma parceria para concluir a refinaria tem como objetivo final a venda do ativo. Ele considera, inclusive, que a própria UPGN possa vir a ser vendida.

Ele lembra o anúncio feito em abril pela Petrobras de se reposicionar seu negócio de refinarias. Na semana seguinte, a estatal colocou à venda quatro de suas refinarias – duas no polo produtivo do Nordeste, e duas no Sul.

“Essa nova política de refino deve passar pelo Comperj. A Petrobras fala que pretende vender refinarias no Nordeste e no Sul, mas não fala nada do Sudeste, do Rio ou do Comperj”, disse o economista.

“A UPGN nada mais é que uma refinaria, só que de gás e não de óleo. A Petrobras tem que matar um leão de cada vez. Por isso, não me espantaria se, lá na frente, a companhia a vendesse também”, afirma.

Questionada pelo G1 se o Comperj será afetado pela reestruturação do negócio de refinarias, a Petrobras respondeu que “a parceria para conclusão do trem 1 do Comperj se enquadra no reposicionamento da Petrobras no refino que se iniciou com a consolidação de uma política de preços competitivos e tem como segundo passo o desenvolvimento de parcerias”.

“O desenvolvimento de parcerias no Comperj é complementar às parcerias já anunciadas para os blocos regionais Sul e NE

Expectativa no setor de máquinas

Independentemente de quais são os objetivos da Petrobras com o Comperj, a indústria aguarda com expectativas a retomada das obras e seu potencial de aquecer o setor.

“Para quem estava com tudo parado, esse anúncio feito pela Petrobras de começar as obras ainda este ano começa a animar a indústria”, afirmou o diretor de Petróleo, Gás, Bioenergia e Petroquímica da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado.

Pelas regras do setor, parte dos equipamentos utilizados no projeto da Petrobras tem de ser comprada de fornecedores brasileiros. Como não há oferta para pronta entrega, as fabricantes estão ansiosas para fechar contratos e começar a produção.

“Queremos marcar uma reunião com a empresa chinesa para podermos nos preparar, fazer cotações, reativar algumas linhas de produção”, disse o diretor da Abimaq.

Machado destacou que a maior parte das máquinas e equipamentos demandados para a construção da UPGN tem de ser pedida com antecedência.

“Pouca coisa é de prateleira. Qualquer peça mais específica tem de ser feita sob encomenda. Há equipamentos que levam dez meses para ficarem prontos. E como toda a obra do Comperj ficou parada, quase todo o maquinário acabou desmobilizado”, explicou.

Ainda segundo o diretor da Abimaq, desde a paralisação das obras do complexo, a produção de máquinas e equipamentos voltados ao setor de óleo e gás estagnou. “De 2014 até agora, a principal fonte de receita da indústria foi na parte de reposição”, enfatizou.

Fonte: G1

Estaleiro no porto de Suape acumula prejuízo de R$ 1,38 bilhão

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O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no Complexo Industrial de Suape, em Pernambuco, registrou em 2017 um prejuízo de R$ 466,1 milhões — valor sete vezes maior que o do ano anterior, de R$ 62,2 milhões. O balanço foi divulgado no Diário Oficial de Pernambuco da última sexta-feira, 11. O prejuízo acumulado é de R$ 1,38 bilhão. E aconteceu mesmo com um aumento de 37% na receita consolidada líquida de um ano para o outro, fechada em 2017 em R$ 918,2 milhões.

O EAS pondera que o prejuízo não tem relação com o resultado operacional, que foi impactado por uma exigência legal de provisão contábil. Em nota, a empresa destaca que o aumento de receita permitiu que a margem bruta do negócio mais que dobrasse (de 12,3% em 2016 para 27,1% em 2017).

Com relação ao prejuízo, a empresa diz que o resultado operacional foi “significativamente” impactado pela necessidade de realização de “provisão para valor recuperável de ativos”. “Trata-se de medida de caráter contábil necessária em função da falta de perspectiva com relação a novas encomendas, mas que não guarda relação com o desempenho operacional do Estaleiro em 2017. Não fosse a exigência legal dessa provisão, o resultado operacional do EAS em 2017 seria de R$ 105 milhões”.

O EAS tem divulgado que as encomendas à empresa se encerram em maio de 2019 e, caso não haja novos pedidos, a companhia terá que demitir pessoal já no fim deste ano e poderá até encerrar as atividades, fechando 3,6 mil postos de trabalho.

A companhia tenta aprovar empréstimo junto ao BNDES para atender à demanda da Satco — potencial cliente que pretende comprar cinco navios. O EAS também espera que a Petrobras contrate novas embarcações, mas precisa que sejam aprovadas regras de conteúdo do local para poder competir com empresas estrangeiras. Outra opção para manter a atividade seria, ainda, conquistar uma das encomendas da Marinha do Brasil, que vai investir US$ 1,8 bilhão na construção de quatro corvetas, com a primeira entrega prevista para 2022.

Segundo destacam os auditores, a continuidade operacional depende do sucesso de contratações de clientes. Atualmente, a capacidade de geração de caixa da companhia para saldar suas obrigações está sendo financiada por capital das partes relacionadas e pela obtenção de empréstimos. O empreendimento pertence aos grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

No primeiro trimestre deste ano, os acionistas integralizaram R$ 90 milhões ao capital da companhia, mas o patrimônio líquido caiu mais de 50% no período, fechando em R$ 456,3 milhões. A dívida total soma mais de R$ 1,8 bilhão, e a companhia possuía R$ 100 mil em caixa no fechamento do balanço em dezembro.

Fonte: O Povo

Governo fixa em R$ 6,8 bilhões bônus para leilão do pré-sal em setembro

O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) definiu na quinta-feira (10) os valores dos bônus de assinatura das quatro áreas que serão oferecidas na quinta rodada de licitações para o pré-sal, agendada para 28 de setembro. Se todas forem vendidas, a arrecadação será de R$ 6,8 bilhões.

Será o segundo leilão do pré-sal em 2018. No primeiro, agendado para 7 de junho, também serão oferecidas quatro áreas, com valor total de R$ 3,2 bilhões. Em março, o governo realizou a 15ª rodada de licitações de áreas fora do pré-sal, que arrecadou R$ 8 bilhões.

Assim, se todas as áreas do pré-sal forem vendidas, a arrecadação total com leilões de petróleo em 2018 será de R$ 18 bilhões. A lista de ofertas da quinta rodada, porém, tem duas áreas que já foram a leilão em 2017 mas não atraíram interesse das petroleiras.

São as áreas de Pau-Brasil e Sudoeste de Tartaruga Verde, cujos bônus de assinatura foram reduzidos para a nova oferta. A primeira foi oferecida na terceira rodada do pré-sal por R$ 1,5 bilhão e agora vai a leilão por R$ 500 milhões. Já a segunda teve o bônus cortado de R$ 100 milhões para R$ 70 milhões.

As outras duas áreas da quinta rodada, Titã e Saturno, têm o mesmo bônus de assinatura: R$ 3,125 bilhões. Parte desses blocos seriam oferecidas da 15ª rodada de licitações, mas foram retiradas na véspera por determinação do TCU (Tribunal de Contas da União).

Em leilões do pré-sal, o bônus de assinatura é fixo e ganha a disputa quem se dispuser a entregar a maior parcela da produção ao governo, depois de descontados os custos do projeto (conceito chamado de óleo-lucro).

O CNPE definiu que o óleo lucro mínimo para Saturno será de 9,65% e para Titã, de 5,80%. Com preços menores, Pau Brasil e Tartaruga Verde têm percentuais mínimos maiores: 24,82% e 10,01%, respectivamente.

RECORDE

Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a quarta rodada do pré-sal teve 16 empresas inscritas, recorde para esse tipo de leilão. Todas já haviam se inscrito para outros leilões realizados no país.

Na quarta rodada, a ANP vai oferecer as áreas de Itaimbezinho, Três Marias, Dois Irmãos e Uirapuru. A Petrobras exerceu seu direito de preferência nas três últimas e poderá optar por manter 30% dos projetos mesmo que não faça parte do consórcio vencedor do leilão.

Fonte: Folha SP