Monthly Archives: outubro 2017

Exxon, gigante do petróleo, passa a ver o Brasil como grande aposta

Maior petroleira do planeta em valor de mercado e quarta em produção de óleo, a americana ExxonMobil aparentava certo desprezo pela exploração e produção de petróleo e gás no Brasil. Desde que caiu o monopólio da Petrobras, em 1997, a empresa fazia investimentos irrisórios nos leilões que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) organiza periodicamente, de oferta de áreas para procura de óleo, e, mesmo nas poucas apostas, colecionava fracassos. Algo mudou repentinamente – o gigante parece ter acordado. O Brasil subiu na lista de prioridades. A empresa está investindo cerca de R$ 8 bilhões neste ano para ampliar significativamente sua presença no Brasil, dos quais mais de R$ 6 bilhões no pré-sal.

Plataforma de Hebron preparada para reboque para campo em maio de 2017 (Foto: Divulgação)

Plataforma de Hebron preparada para reboque para campo em maio de 2017 (Foto: Divulgação)

Por que o súbito grande apetite pelo país? Procurada por ÉPOCA, a Exxon Mobil afirma que tem “uma parceria de longa data com o Brasil, numa história que remonta a mais de 100 anos” e que possui interesse em expandir a operação local. “Nossos lances nos recentes leilões promovidos pela ANP refletem nossa expectativa positiva no potencial dos recursos da costa brasileira. E também nossa confiança nas recentes reformas regulatórias promovidas pelo governo, que esperamos nos permitir implementar, de forma efetiva, nossa expertise em execução de projetos e know-how em águas profundas”, afirmou a empresa por e-mail.

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Aparentemente, para a maior petroleira do mundo, ignorar o Brasil tornou-se mais difícil. O pré-sal brasileiro figura entre as três áreas de petróleo mais promissoras do planeta, ao lado de blocos terrestres do Oriente Médio e do shale oil (óleo de folhelho ou xisto) dos Estados Unidos. Em abril, reportagem do jornal americano The Wall Street Journal revelou que a empresa americana já estava conversando internamente para aumentar os investimentos no Brasil.

Nesse meio tempo, a ANP resolveu aliviar as exigências de conteúdo local para os leilões deste ano e dos próximos, uma das grandes reclamações tanto da Petrobras quanto das estrangeiras. A Petrobras também foi desobrigada de entrar com 30% em todas as áreas do pré-sal.

A inusitada aposta da Petrobras na Bacia de Campos

Na última sexta-feira (27), quando a ANP promoveu duas rodadas de leilão de áreas no pré-sal, a Exxon topou desembolsar R$ 1,2 bilhão para entrar como sócia na área de Norte de Carcará, com 40%, junto com a norueguesa Statoil (40%) e a portuguesa Petrogal (20%). Não será a operadora, ou seja, não terá a responsabilidade de contratar os equipamentos e lidar com as autoridades brasileiras. Como sócia relevante, porém, além do dinheiro, participa das decisões mais estratégicas e tem acesso às informações sobre o apetitoso pré-sal.

Nesse último leilão, a Exxon entrou em apenas uma das oito áreas ofertadas. Mas, ao lado da Statoil, foi a empresa que mais desembolsou dinheiro nas rodadas da semana passada. A Shell entrou em três áreas e desembolsou R$ 332 milhões. A Petrobras gastou R$ 1,14 bilhão para também entrar em três áreas, todas como operadora. A Exxon estava disposta a gastar outro R$ 1 bilhão em outra área, Peroba, junto com a Statoil, mas a dupla perdeu para a Petrobras.

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Imediatamente após o leilão da sexta-feira passada, a Statoil anunciou que estava vendendo para a Exxon metade de sua participação de 66% em Carcará, uma área vizinha à recém-leiloada Norte de Carcará, mas já em exploração. E deve vender outra fatia que comprará de um sócio ali, a Queiroz Galvão. Nessas negociações, a Exxon vai desembolsar cerca de R$ 5 bilhões para ter, ao fim do processo, uma fatia de 36,5% de Carcará, a mesma da Statoil.

No leilão de áreas fora do pré-sal realizado em setembro, a Exxon já havia sido o grande destaque do evento da ANP, ao gastar R$ 1,9 bilhão para arrematar participações em oito blocos oferecidos na Bacia de Campos, alguns com e outros sem Petrobras, mais duas áreas em Sergipe/Alagoas. No mesmo leilão, o desembolso da Petrobras havia sido de R$ 1,8 bilhão.

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Antes do grande interesse subitamente demonstrado pelo Brasil nas últimas semanas, a presença da Exxon no segmento de exploração e produção de petróleo brasileiro era pífia. No total, em bônus de assinatura para obtenção de áreas, a empresa não havia gastado mais de R$ 70 milhões nos leilões realizados pela ANP entre 1999 e 2013, para adquirir direito de explorar petróleo no país. Chegou a ter algumas participações tímidas nos primeiros, no início da década passada, mas ficou 11 anos, entre 2002 e 2012, sem arrematar nada em qualquer rodada. Em algumas dessas, nem sequer se deu ao trabalho de se habilitar oficialmente para competir.

Fora dos leilões, a Exxon chegou a fazer algumas movimentações, ainda que muito tímidas. Uma delas foi a aquisição de 40% de um bloco na área do pré-sal, o BM-S-22, junto com a Petrobras e a Hess, no qual era operadora. Tratava-se de um bloco em que especialistas nutriam grandes expectativas de que fosse um dos maiores reservatórios do pré-sal. Uma perfuração lá que não encontrou petróleo, em 2009, minou as esperanças dos sócios. Um ano depois, outro poço foi mais bem-sucedido, mas, em 2012, a Exxon decidiu devolver a área para a União, em claro indício de que não viu chance de encontrar volumes elevados que justificassem o investimento.

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A última participação da Exxon nos leilões da ANP havia sido em 2013, quando levou uma área na Bacia Potiguar, em sociedade com a então OGX, fundada por Eike Batista. Pagaram, juntas, R$ 81 milhões. Mais uma vez, o investimento se mostrou um erro: a área foi devolvida no ano passado. Em 2013, a ANP havia realizado também o primeiro leilão do pré-sal no novo regime de partilha, mas a Exxon nem sequer fez oferta. A Petrobras levou a área de Libra em lance único, ao lado da anglo-holandesa Shell, da francesa Total e das chinesas CNPC e CNOOC.

Atualmente, a Exxon está presente em apenas dois blocos, todos bem longe do promissor pré-sal. Um deles está na Bacia Potiguar, cuja participação comprou da OGX, e outro no Ceará, no qual foi sócia de primeira hora também da OGX. Nos dois, hoje é sócio da Azibras.

Fonte: Época

Chubb arresta 200 milhões em ações da Avianca por dívida de estaleiro de Germán Efromovich

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Os executivos do mercado segurador envolvidos com seguro garantia estão em festa. A Chubb, principal seguradora de grandes riscos do Brasil, e a Fator conseguiram arresto de 200 milhões de ações da Aviança para executar a contra garantia de uma apólice que garantia a entrega de navios encomendados ao estaleiro de Germán Efromovich, segundo acordo publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial.

O seguro garantia assegura que o contrato será cumprido dentro das condições acordadas. Se não for, a seguradora indeniza o tomador do crédito e executa as contra garantias.

No entanto, é muito raro o ressarcimento, pois geralmente a empresa que executa a obra segurada vai à falência e não tem bens para serem tomados e os juízes acabam não encontrando nada que possa ser confiscado pelas seguradoras. Também pesa a falta de cultura de seguro no judiciário, que vê a seguradora como uma pagadora de indenização e não como uma empresa apta pelo contrato a receber garantias.

Esse é um precedente muito importante para a exequibilidade das contra garantias em futuros ressarcimentos. Uma notícia e tanto para o mercado segurador”, comentou Cássio Gama Amaral, sócio especializado em seguros do escritório Mattos Filho.

Germán Efromovich é o controlador do Synergy Group, um grupo diversificado, fundado em 2003 e que inclui estaleiros, empresas médicas, serviços de aviação comercial, petróleo, hotelaria, turismo e agricultura. O Synergy Group é baseado no Rio de Janeiro.

Em 2015, os estaleiros Mauá, Ilha e Eisa Petro Um, todos de German Efromovich, fecharam as portas deixando as encomendas bilionárias literalmente a ver navios. No Maúa, de quatro encomendas, três ficaram inacabadas, com custo aproximado de US$ 87 milhões cada. O Eisa Petri Um foi criado para construir oito navios petroleiros encomendados em janeiro do ano passado pela Transpetro, subsidiária da Petrobras — no valor de R$ 1,4 bilhão.

Recentemente, as seguradoras registraram dois casos de pagamento de seguro garantia para obras não concluídas, mas devem enfrentar “um calvário” para executar as contra garantias recebidas no contrato de seguro.

Em setembro, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) registrou pedido de indenização junto à Liberty Seguros, líder da apólice contratada pela Concessionária Via Rondon para prestação de seguro garantia de funções de ampliação previstas em seu contrato.

No Estado de São Paulo operam 21 concessionárias de rodovias com contratos que datam desde 1998 e essa foi primeira vez que a Agência acionou um seguro garantia, após a aplicação de outras sanções previstas em contrato.

A reclamação de sinistro ocorre após ficar constatado pela Artesp que a concessionária não vem cumprindo o plano de saneamento de atrasos apresentado pela Via Rondon à Artesp, caracterizando inadimplência e descumprimento do plano.

Em agosto, a Triunfo Participações e Investimentos (TPI) informou que a Swiss Re pagou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) R$ 149,8 milhões referente à parcela da contribuição fixa de outorga de 2016, prevista no contrato de concessão do aeroporto de Viracopos.

Fonte: Segs

Petrobras negocia parceria com chinesa CNPC para refinaria em RJ

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A Petrobras está negociando uma parceria estratégica com a chinesa CNPC para a conclusão das obras da refinaria do Comperj, no Estado do Rio de Janeiro, como parte de um amplo memorando de entendimento assinado com a empresa, em meados deste ano, que poderá incluir outras iniciativas na região.

Ao falar a empresários em um evento no Rio, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, ressaltou seus esforços para concluir o empreendimento no Estado, onde já foram investidos cerca de US$ 13 bilhões e cujas obras foram paralisadas após o escândalo de corrupção investigado pela operação Lava Jato.

O executivo reiterou que em breve serão reiniciadas as obras da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Comperj, que irá processar a produção escoada de campos do pré-sal da Bacia de Santos.

“Estamos também discutindo com parceiros a possibilidade de que eles possam atuar na área de refino e uma das possibilidades seria aportar os recursos necessários para a conclusão da (refinaria do) Comperj”, afirmou Parente, durante evento da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Sem entrar em detalhes, o executivo mencionou que a parceria estratégica do projeto poderia incluir outros negócios no Estado.

“Na realidade, isso (a parceria) seria alguma coisa um pouco mais ampla, que seria uma revisão da área de refino do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou Parente, sem entrar em detalhes.

O Comperj foi idealizado inicialmente para ser um grande complexo que envolveria também petroquímica. Mas, com o escândalo de corrupção, a Petrobras reduziu planos para o empreendimento, e agora fala apenas em concluir ativos de refino e processamento de gás. Parente não mencionou capacidades de produção.

China

A jornalistas, o executivo explicou que a conclusão da refinaria do Comperj está sendo negociada com a chinesa CNPC. Parente, no entanto, não detalhou quais outras áreas do Estado poderiam ser envolvidas.

Se a parceria com os chineses for confirmada, a Petrobras ampliaria seus empreendimentos com a CNPC, sócia da petroleira na área gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

Além disso, na semana passada, a CNODC (subsidiária da CNPC) foi parceira da Petrobras em um consórcio para comprar o bloco de Peroba, no leilão do pré-sal na semana passada.

Parceria com BP

Pedro Parente, presidente da Petrobras, explicou que o acordo de intenção para formar uma aliança estratégica com a BP, anunciada na manhã desta terça-feira, visa a ampliar os ativos na área de gás. Além disso, o executivo lembrou ainda que pretende fazer parceria com a companhia na área de comercialização de petróleo e derivados.

“Um dos objetivos foi alcançado com o leilão do pré-sal com a exploração das duas áreas (Cabo Frio Central e Peroba) . Mas há também um interesse no que diz respeito ao gás, que é aumentar a participação do gás no portfólio da Petrobras. Ao fazer parceria com uma empresa que tem campos com muito quantidade de gás, e se ela estiver disposta a ceder parte desse campo num processo de troca, a gente aumenta a participação. E um modelo que envolve a troca de ativos. Mas está muito preliminar. E também numa eventual parceria na área de comercialização, com a compra e venda de derivados e petróleo bruto. Eles têm uma experiência grande”, disse Parente.

Em relação à Braskem, Parente disse que está em conversas com a Odebrecht para mudar o acordo de acionistas da gigante da petroquímica com o objetivo de se desfazer da empresa. Ele, porém, afirmou que ainda não tem informação sobre um eventual interesse da holandesa LyondellBasell.

“No nosso planejamento , queremos sair da área de petroquímica . E estamos dispostos a vender nossa participação na Braskem. E para isso estamos trabalhando com a Odebrecht na mudança do acordo de acionistas. Isso caminha bem, mas ainda não está concluído. E quando estiver concluído, podemos conversar.”

Fonte: Época Negócios

Petrobras busca parcerias para concluir obras do Comperj, diz Parente

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O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse nesta terça-feira (31) durante almoço com empresários no Rio de Janeiro que a companhia espera conseguir investimentos de empresas parceiras para concluir as obras da refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

“Estamos discutindo com parceiros a possibilidade de que eles possam se associar na área de refino, aportando os recursos necessários na conclusão das obras do Comperj”, respondeu Parente ao ser questionado por um empresário durante o evento promovido pela Associação Comercial do Rio.

O Comperj é um dos maiores projetos do país, que ocupa uma área de 45 km². O projeto foi anunciado em 2006 e seria um avanço da Petrobras na área de refinaria.

As obras estão paradas há cerca de dois anos e foram afetadas pelas denúncias da Lava Jato. Com a crise, a construtora Queiroz Galvão, encarregada da obra, decidiu quebrar o contrato alegando que o valor firmado com a estatal não seria suficiente para cobrir os custos.

Antes de responder às perguntas do empresariado, Parente apresentou uma curta palestra na qual descreveu os principais desafios do setor petroleiro. Ele destacou a queda do preço do barril de petróleo no mundo e as estimativas de que deverá ocorrer mundialmente, entre 2020 e 2030, um pico do consumo do óleo, antes de entrar em declínio.

Leilão do pré-sal

O presidente da Petrobras afirmou em seu discurso que sem a mudança na regulação que acabou com a obrigatoriedade da estatal explorar a camada do pré-sal, as duas últimas rodadas de licitação teriam rendido metade dos investimentos.

“[Sem a mudança] teríamos investimentos em apenas três blocos, porque esta é a capacidade de investimento da Petrobras. Ou seja, teríamos apenas metade dos investimentos previstos. A revisão da regulação garantiu um sucesso muito grande nos últimos leilões”, disse o executivo.

Petrobras leva 3 blocos do pré-sal e oferece até 80% da produção à União

Dos oito blocos ofertados [nas 2ª e 3ª rodadas], seis foram arrematados, sendo três deles pela estatal brasileira em consórcio com gigantes estrangeiras.

Parente buscou enfatizar as mudanças ocorridas na Petrobras desde a mudança da gestão da companhia, no ano passado. A partir da nova linha de atuação, segundo ele, a companhia “está se reposicionando e recompondo seu repertório exploratório”.

“A Petrobras, vocês devem se lembrar, foi vítima de um esquema de corrupção e de uma série de decisões equivocadas que geraram uma dívida de US$ 120 bilhões em valores brutos”, disse Parente.

O executivo afirmou que “tivemos um grande sucesso na gestão da nossa dívida” ao definir um projeto de parcerias e desinvestimentos como forma de expandir os negócios, gerando capital e reduzindo os gastos. Porém, ressaltou que “continuamos com uma dívida bastante elevada, perto de US$ 90 bilhões”. Segundo ele, essa dívida rende, em juros, cerca de US$ 7 bilhões por ano.

“Não é simples a situação da Petrobras. Vemos uma trajetória de recuperação, mas ainda temos muito o que fazer”, enfatizou Parente.

Parente destacou que o foco da empresa é ser seletiva quanto a novos investimentos. Segundo ele, atualmente, 66% da capacidade de investimento da companhia é destinada à exploração do pré-sal e 34% do pós-sal. Ele afirmou que a companhia aposta na conquista de seu planejamento estratégico, que prevê elevar a produção de 2,8 bilhões de barris de óleo equivalente por dia para 3,8 bilhões até 2021.

Fonte: G1

15ª rodada de petróleo terá ‘áreas surpresas’, diz secretário de petróleo e gás

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) fará uma reunião extraordinária ainda em novembro para discutir detalhes das rodadas de licitação de blocos de exploração de petróleo previstas para 2018. Segundo adiantou o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marcio Felix, serão ofertadas “áreas surpresas” na rodada que será realizada sob o regime de concessão.

“A 15ª Rodada virá com algumas áreas surpresas”, afirmou Felix durante a abertura do VII Seminário sobre Matriz e Segurança Energética Brasileira, realizado na manhã desta segunda-feira (30) na Fundação Getúlio Vargas, em Botafogo, Zona Sul do Rio.

Segundo Felix, esta será a segunda reunião extraordinário do CNPE este ano. O objetivo é garantir sucesso nas próximas rodadas de licitação, as quais o governo pretende realizar ainda no primeiro semestre do ano que vem.

Felix afirmou que “nós ganhamos jogando bem” ao comentar os resultados das 2ª e 3ª Rodadas de Partilha do Pré-Sal realizadas na sexta-feira (27). A União receberá R$ 6,15 bilhões das concessões vendidas no leilão. “A gente está trabalhando para ganharmos o bicampeonato em 2018”, enfatizou.

O secretário destacou que a expectativa é que tanto a 15ª Rodada, sob o regime de concessão, quanto a 4ª Rodada, sob o regime de partilha, aconteçam antes de julho do ano que vem. Isso porque em função das eleições presidenciais previstas para o próximo ano, o governo não poderá realizar leilões durante o período eleitoral.

No regime de partilha, que rege o pré-sal, vence a disputa quem oferecer a maior fatia de petróleo ou gás excedente da produção futura para a União. Esse excedente é o volume de petróleo ou gás que resta após a descontar os custos da exploração e investimentos.

No regime de concessão, o governo recebe mais dinheiro à vista, mas no futuro só recebe os royalties. Além disso, o governo não tem direito a parte da produção futura. No último leilão de concessão, a 14ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás ofertou 287 blocos de exploração e garantiu uma arrecadação de mais de R$ 3,84 bilhões em bônus.

Segundo Felix, não faria sentido realizar os pregões após o resultado das eleições, uma vez que haverá uma nova equipe política prestes a assumir o comando do país logo em seguida.

Fonte: G1

Quatro petroleiras globais entram no pré-sal brasileiro

As rodadas de partilha marcaram, na última sexta-feira, a entrada de quatro petroleiras globais no pré-sal brasileiro – Exxon, BP, Qatar Petroleum e CNODC – e a presença de 12 companhias diferentes na competição que rendeu R$ 6,15 bilhões ao governo. A diversificação de empresas, contudo, não se traduziu em estreias na operação e todas as áreas arrematadas ficaram nas mãos das três principais operadoras do país: Petrobras, Shell e Statoil. Considerado um sucesso no mercado, o leilão mostrou ainda que as empresas não têm grandes problemas de trabalhar com o regime de partilha, que pode ser extinto se vingar a ideia manifestada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ).

Com direito de preferência exercido em três áreas, a Petrobras foi a protagonista das rodadas: arrematou metade dos blocos negociados nos leilões e desembolsará R$ 1,14 bilhão em bônus. O presidente da estatal, Pedro Parente, classificou como “bem sucedida” a investida e afirmou que as aquisições estão dentro de seu planejamento financeiro. Ele não descartou, porém, a possibilidade de a empresa vir a ser carregada nos investimentos pelos “sócios de primeira grandeza”, como Shell, Repsol Sinopec, BP e a China National Oil and Gas Exploration and Development Corporation (CNODC), subsidiária da PetroChina.

“O que acontece é que a gente fecha a parceria para a realização do leilão e depois começam conversas complementares onde outras questões são discutidas. Essa questão [carregamento] pode vir a ser discutida, mas não há nada relevante”, disse, após os leilões.

O resultado das rodadas mostrou ainda como é difícil antecipar a estratégia das petroleiras. A expectativa de que a ExxonMobil se tornasse operadora não se confirmou, ainda que a americana tenha sido uma das maiores pagadoras de bônus: R$ 1,2 bilhão, por 40% da área Norte de Carcará, ao lado da Statoil e da Petrogal (subsidiaria da Galp no Brasil).

A aquisição garante a estreia da Exxon no polígono do pré-sal – na 14ª Rodada de blocos exploratórios a empresa chegou a arrematar oito blocos com potencial para pré-sal, na Bacia de Campos, mas ainda não há descobertas confirmadas que indiquem a existência de recursos abaixo da camada de sal. A Exxon também tentou, nos leilões de sexta, comprar a área de Peroba, mas perdeu a disputa para o consórcio Petrobras/BP/CNODC, que ofereceu uma parcela de 76,96% da produção para a União.

Outras estreantes no pré-sal são a britânica BP (que está sem produzir no Brasil desde a venda de Polvo, para a PetroRio), a Qatar Petroleum e a CNODC (embora sua controladora, por meio da CNPC, seja sócia do projeto de Libra).

Os leilões do pré-sal contaram com 11 vencedores diferentes, entre as 16 habilitadas. Apenas a Ouro Preto Energia participou da rodada sem sucesso. Chevron, Petronas (Malásia) e a Ecopetrol (Colômbia) se inscreveram, mas foram as ausências notadas dos leilões – que confirmaram, ainda, o reforço da posição de figuras já presentes no pré-sal: Petrogal, China National Offshore Oil Company (CNOOC), Repsol Sinopec e a Total.

Petrobras foi a empresa protagonista das rodadas: arrematou metade dos blocos e desembolsará R$ 1,14 bilhão em bônus

“Os leilões trouxeram saudável variedade de empresas que operam em águas profundas ao Brasil, que se reafirmou como um dos principais destinos de investimentos”, diz o diretor de pesquisas da consultoria Wood Mackenzie para a América Latina, Horácio Cuenca.

Além da Petrobras, uma das participações mais agressivas foi a da Shell, que fortaleceu sua posição no pré-sal. A companhia, que já operava a área de Gato do Mato e não conseguiu adquirir nenhum bloco na 14ª Rodada, em setembro, fez oferta por todas as seis áreas negociadas nos leilões e levou três, duas delas como operadora. Por essa participação vai pagar R$ 332,5 milhões de bônus.

Com a investida bem-sucedida, a anglo-holandesa garantiu Sul de Gato do Mato, área adjacente à descoberta de Gato do Mato (bloco BM-S-54). A aquisição foi comemorada pelo presidente da Shell Brasil, André Araújo. Isso porque a compra vai acelerar o desenvolvimento da produção da descoberta original de Gato do Mato – projeto que estava parado desde que se descobriu que parte do campo se estendia para fora da concessão.

Araújo disse que a empresa pagou o valor que achou justo e entrou “onde achou que deveria entrar”. Segundo ele, os blocos adquiridos foram uma aposta no Brasil que exigirá investimentos adicionais aos US$ 2 bilhões que vai investir anualmente até 2020.

Sócia da Shell em Gato do Mato, com 20%, a Total, por sua vez, se limitou a manter o mesmo percentual na área unitizável (interligada a área já leiloada e passível de exploração unificada). A Total concentrou sua participação nos leilões nesse único ativo – a francesa acaba de adquirir a Maersk, o que pode explicar a atuação tímida.

Na avaliação de uma fonte do governo, o fato de Exxon e Total não terem saído das licitações como operadores, se contrapõe ao sucesso de Petrobras, Shell e Statoil. Isso pode levar as concorrentes a serem mais agressivas nos leilões do ano que vem.

Fonte: Valor

Leilões do pré-sal arrecadaram R$ 198 bi acima do projetado, diz ministério

Márcio Felix não informou, no entanto, se a arrecadação é exclusiva ao lucro óleo, que representa o ganho do governo com a produção em 30 anos de produção

O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Felix, afirmou que a segunda e terceira rodadas de partilha da produção, realizadas na última sexta-feira, 27, vão gerar uma arrecadação R$ 198 bilhões superior à esperada. Em palestra na Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele não informou, no entanto, se a arrecadação é exclusiva ao lucro óleo, que representa o ganho do governo com a produção em 30 anos de produção.

Número semelhante foi apresentado no evento pelo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone. Ele disse que a projeção era de arrecadação de R$ 400 bilhões, mas com o ágio médio superior a 200% sobre o lucro óleo, a arrecadação passará para R$ 600 bilhões.

Em sua palestra, Felix informou ainda que nos próximos dias o governo vai fechar uma nova agenda de melhorias regulatórias para o crescimento do setor. Entre elas, citou o fim das discussões com a Petrobras sobre a cessão onerosa, para que o excedente seja leiloado. “A ANP deve se pronunciar nos próximos dias sobre a cessão onerosa”, afirmou.

Ele informou também que o governo vai “enfrentar a discussão sobre o desenvolvimento do não convencional (folhelho) no Brasil”. ONGs ambientais resistem a esse tipo de projeto e têm recorrido à Justiça para evitá-lo no País.

Fonte: Estadão

Governo eleva para R$ 600 bi previsão de arrecadação com leilões de pré-sal

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O governo federal elevou a estimativa de arrecadação com os leilões do pré-sal em quase R$ 200 bilhões. Os certames, realizados na semana passada, deverão gerar R$ 600 bilhões, disse nesta segunda-feira (30) o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Décio Oddone.

As estimativas, segundo Oddone, foram refeitas pelas equipes técnicas da ANP considerando os ágios obtidos nas 2ª e 3ª Rodadas do pré-sal, sob regime de partilha, considerados expressivos pela agência reguladora.

Nos leilões sob regime de partilha de produção, vencem as áreas os participantes que oferecerem o maior percentual em petróleo futuro para a União.

A nova projeção da ANP aponta para uma arrecadação de R$ 600 bilhões ao longo de 30 anos, a partir do início da produção nas áreas ofertadas, disse Oddone.

Na sexta-feira, o presidente da República, Michel Temer, publicou uma nota afirmando que a exploração das áreas leiloadas deveria gerar cerca de US$ 130 bilhões em royalties e outras fontes de arrecadação.

“Antes a gente falava em 400 bilhões de reais em 30 anos, nominal. Isso leva em conta toda a arrecadação, como royalties, lucro óleo, impostos, tributos e imposto de renda. Mas com as alíquotas ofertadas no leilão… e usando as mesmas premissas, o resultado é 200 bilhões de reais a mais”, disse Oddone, ao participar de um evento na Fundação Getulio Vargas (FGV).

A previsão da ANP é que a produção nos seis blocos arrematados deverá começar dentro de cinco a sete anos.

O diretor-geral não detalhou quais os métodos utilizados para calcular a arrecadação futura, como preços do petróleo, volumes de produção, dentre outros parâmetros.

Das oito áreas ofertadas, apenas duas delas não foram arrematadas.

Foram pagos 6,15 bilhões de reais em bônus de assinatura pelas áreas negociadas, ante uma estimativa de 7,7 bilhões de reais projetada se todas as áreas tivessem sido arrematadas.

“Teve gente dizendo que o leilão não tinha arrecadado o previsto porque só se olhou para o bônus de assinatura. Mas a arrecadação total mostra que será avassaladoramente superior. Foi um sucesso mais que estrondoso”, afirmou.

Na 2ª Rodada, o ágio médio do excedente em óleo ofertado foi de 260,98 por cento e, na 3ª Rodada, de 202,18 por cento, segundo a ANP, com os consórcios liderados pela Petrobras realizando lances agressivos.

Na área do Entorno de Sapinhoá, a Petrobras e parceiros ofereceram ágio de quase 675 por cento, o maior do certame, seguido pelos lances, também com participação da estatal, com ágio de 454 por cento por Peroba e de quase 255 por cento por Alto de Cabo Frio Central.

PETRÓLEO DO GOVERNO

Primeira área a ser leiloada sob regime de partilha de produção, Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, deverá começar a produzir neste ano, mas o governo ainda não sabe ao certo como fará para comercializar o petróleo da região.

Também presente no evento da FGV, o secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, afirmou nesta segunda-feira que o governo está trabalhando em uma medida provisória para que a estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) possa vender óleo da área de Libra e de outras áreas sob regime de partilha de produção.

Atualmente, a PPSA é obrigada a contratar um agente comercializador para negociar o petróleo. Chegou a haver uma negociação com a Petrobras, mas não houve acordo.

O primeiro embarque de petróleo produzido na área de Libra está previsto atualmente para ocorrer no primeiro trimestre de 2018.

CESSÃO ONEROSA

O diretor-geral da ANP também fez comentários sobre as áreas do pré-sal cedidas à Petrobras pelo governo em 2010, cujo contrato (conhecido pelo setor como Cessão Onerosa) previu que a petroleira estatal tenha o direito de produzir até 5 bilhões de barris na região.

Uma renegociação do contrato, prevista desde o início, está em andamento, e a Petrobras entende que será credora de valores consideráveis.

O governo tem estudado formas de pagar a Petrobras. Uma delas seria com o óleo excedente da região.

Segundo Odonne, ainda nesta semana, a ANP vai publicar uma estimativa, feita com base em um estudo encomendado a uma certificadora, sobre os volumes excedentes do contrato da cessão onerosa, no pré-sal da Bacia de Santos.

Oddone não quis antecipar valores, mas revelou que os dados serão divulgados com base em análises de risco.

“A gente analisou e ali tem projeções que tem 10 por cento de certeza, 50 por cento de certeza e 90 por cento de certeza. Os números variam”, disse ele.

Estimativas atuais do governo apontam para que haja entre 5 bilhões e 10 bilhões de barris na área, além dos 5 bilhões de barris que já estão contratados com a Petrobras.

Fonte: Folha SP

Porto bate recorde na movimentação de contêineres no mês de setembro

O Porto de Santos bateu um novo recorde de movimentação mensal de contêineres em setembro, ao operar 360.281 TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). O total aponta um crescimento de 13,2% sobre o resultado do mesmo mês do ano anterior, que foi de 318.292 TEU, e evidencia uma retomada da economia, segundo especialistas.

A marca também é uma boa notícia para a região, ao indicar um início da recuperação das operações de contêineres – que tendem a gerar mais serviços e postos de trabalho do que a movimentação de cargas a granel, por exemplo.

“Certamente esse número relativo à movimentação recorde de contêineres, que tradicionalmente carregam cargas de alto valor agregado, mercadorias industrializadas, aponta uma recuperação da economia”, afirmou o presidente da Federação Nacional de Operadores Portuários, o consultor portuário Sérgio Aquino.

O especialistas ainda destaca que o aumento nessas operações é “positivo para a região, pois essa atividade gera bom reflexos no complexo portuário. A principal geração de empregos e riquezas nos portos está na operação de contêineres. É a atividade que mais gera serviço e mais demanda profissionais”.

O recorde é destaque no balanço operacional de setembro do Porto de Santos, elaborado por técnicos da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária, e divulgado pela empresa nesta quinta-feira (26). A marca anterior, de 360.132 TEU, foi registrada em julho de 2015.

No acumulado do ano, segundo o levantamento da Docas, os terminais do Porto escoaram 2,82 milhões de TEU, 6,4% a mais do que os 2,65 milhões de TEU registrados nos primeiros nove meses do ano passado.

Tonelagem

O balanço da Codesp também aponta que, em setembro, o Porto ultrapassou, pela terceira vez neste ano, a marca mensal de 12 milhões de toneladas. No total, foram 12.243.774 toneladas, o segundo melhor movimento mensal de sua história. O primeiro foi o do mês anterior, com 12.342.511 toneladas.

O resultado indica uma alta de 23,6% sobre setembro do ano passado (9.906.676 toneladas) e ampliou o movimento acumulado em 2017 para 97.683.917 toneladas – 10,3% a mais sobre o mesmo período de 2016. Esse crescimento levou os técnicos da Companhia Docas a corrigir para cima suas expectativas em relação à movimentação do ano, que deve ultrapassar com folga o recorde anual registrado em 2015 (119.931.880 toneladas).

As exportações no mês somaram 8.977.803 toneladas, 30,8% superior aos embarques ocorridos no mesmo período do ano anterior (6.865.682 toneladas). No acumulado do ano, foram 71.094.523 toneladas, uma alta de 9,3% sobre o mesmo período de 2016 (65.042.296 toneladas).

As importações totalizaram 3.265.971 toneladas, 7,4% a mais do que no mesmo mês do ano passado (3.040.994 toneladas). Já os desembarques acumulados no ano ficaram em 26.589.394 toneladas, um acréscimo de 13,2% no total obtido de janeiro a setembro do ano passado (23.486.092 toneladas).

Agronegócio

Entre as cargas mais movimentadas em setembro, o milho é o destaque. Foram 2.733.380 toneladas, ficando 93,6% acima do registrado no mesmo mês de 2016 (1.411.555 toneladas). As exportações do complexo soja (grãos e farelo) também desempenharam papel importante, somando 524.963 toneladas, uma alta de 147,4%. Essa ampliação foi motivada, principalmente, pelo bom desempenho do farelo de soja a granel que teve um crescimento de 96,4%.

Apresentaram aumento, ainda, os embarques de açúcar (6,6%), álcool (51,6%), carnes (41,5%) e sucos cítricos (13,2%), bem como as descargas de sulfato dissódico (57,6%), nafta (396,3%), metanol (38,3%), sal (16,4%) e soda cáustica (2,4%).

O tráfego de navios, no ano, chegou a 3.635 embarcações, 1,1% acima do que o contabilizado no ano anterior (3.596).

Já a participação das cargas movimentadas no Porto de Santos na corrente de comércio brasileira, segundo dados do Governo Federal, atingiu 28,1% (US$ 77,6 bilhões) do total Brasil (US$ 275,9 bilhões) nos primeiros nove meses do ano.

Fonte: A Tribuna

Para especialistas, resultado do leilão do pré-sal indica retomada do setor

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Ainda que abaixo da expectativa do governo, o resultado do leilão do pré-sal realizado ontem foi recebido positivamente por especialistas do setor de óleo e gás. “Mostra que estamos no caminho certo de retomada”, analisa o professor da PUC-RJ, Alfredo Renault. Das oito áreas ofertadas, duas não foram vendidas, o que representou uma arrecadação R$1,6 bilhão inferior à esperada.

Com a esperança de disputa acirrada, a Agência Nacional do Petróleo amargou a falta de ofertas às áreas de Tartaruga Verde e Pau Brasil. A primeira é uma área de unitização que fica ao lado de um campo da Petrobrás e se esperava que a petroleira brasileira ficasse com ela ou, ainda,  com a australiana Karoon, que já havia se qualificado e estava tentando comprar a área da Petrobrás no plano de desinvestimento.

A Pau Brasil, por outro lado, seria a maior frustração do governo, uma vez que oferecia um dos maiores bônus na assinatura de todas as áreas ofertadas, R$1,5 bilhões. No entanto, o interesse dos estrangeiros e algumas ofertas de óleo excedente, como a feita pela Petrobrás na área de Sapinhoá, surpreenderam positivamente.

Há consenso entre os analistas de que o regime de partilha está em crise e diminui o potencial de rendimento dos contratos, além de inibir o apetite dos investidores. “Do ponto de vista financeiro, o regime de concessão dá mais previsibilidade e competitividade”, aponta Anderson Dutra, sócio da área de óleo e gás da KPMG.

A opinião é compartilhada pelo advogado Rafael Baleroni, especialista em petróleo do escritório Souza Cescon. Para ele, o Brasil ainda é atrativo, mas com concessão a atratividade é muito maior. “Regime de partilha não é bem recebido pelas empresas porque há uma intervenção muito grande estatal.”

Segundo o professor da PUC-RJ, um dos problemas da partilha é transferir para o futuro uma renda que a União poderia desfrutar agora. “Como a partilha exige que o item de decisão do leilão seja o porcentual de óleo/lucro, ela inibe o potencial de bônus de assinatura”, explica Renault.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, lembra que o sistema atual faz com que o governo participe do risco e, caso a área estivesse em regime de concessão o cofre da União poderia ter engordado R$ 40 bilhões, no lugar dos R$ 6 bilhões. “O dinheiro que hoje foi dado em óleo só se vai conseguir daqui a dez anos, quando nós não sabemos qual será o preço do petróleo.”

Apesar de considerar essencial a discussão de mudança do regime de partilha para o de concessão, Pires acredita, no entanto, que é preciso cuidado para não comprometer os leilões previstos para 2018.

“A longo prazo a concessão é o melhor modelo. Mas não se deve esperar isso já para o ano que vem ou é possível que tal expectativa atrase os investimentos das empresas,” pondera Pires.

Desafio paralelo. Além do regime de partilha, o processo de licenciamento ambiental nas área de exploração também é uma preocupação do setor. Adriano Pires afirma que a questão ambiental não pode se transformar num ponto de estrangulamento da exploração de petróleo e gás no Brasil. “Hoje, a licença vem depois do leilão ganho. Ela deveria estar prontinha no momento do leilão. Sendo um passo posterior, há atraso de projeto e aumento de custos.”

Bareloni, porém, acredita que as áreas do Pré-Sal têm situação mais tranquila. “O problema maior é nas áreas de nova fronteira, como a Margem Equatorial (que vai da Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, até a foz do Rio Amazonas).”

Fonte: Estadão