Monthly Archives: setembro 2017

AHTS ‘CBO Bossa Nova’ será batizado no estaleiro Oceana

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Divulgação CBO

O grupo CBO batiza na próxima quarta-feira (4) a primeira embarcação do tipo AHTS 18.000 produzida no estaleiro Oceana, em Itajaí (SC). O CBO Bossa Nova começou a ser construído em 2015 e está contratado pela Petrobras. A embarcação terá como madrinha Joyce Moreno, cantora, compositora e instrumentista brasileira da MPB. A unidade é a primeira da série “Terra Brasilis”, que tem seis embarcações desse modelo em construção no estaleiro e cujas entregas estão previstas até o final de 2018.

CBO Bossa Nova foi construído com financiamento do Fundo da Marinha Mercante através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e incentivos dos governos federal e estadual. Os AHTSs (Anchor Handling Tug Supply Vessels) são navios de apoio marítimo projetados para exercer operações de manuseio de âncoras, reboque e suprimento de plataformas, transportando uma grande variedade de cargas, tanto líquidas quanto a granel.

Ficha técnica:
Comprimento: 82,40m
Boca: 19,50m
Pontal: 8,50m
Calado de Projeto: 7,0m
Potência total: 12000mkW

Serviço:
Evento: Batismo CBO Bossa Nova
Data: 4 de outubro
Início da cerimônia: 18h30
Local: Estaleiro Oceana, Rua Eugênio Pezzini, 355 – Cordeiros, Itajaí/SC

Fonte: Portos e Navios

Licitação de blocos de petróleo fecha em recorde de R$3,8 bi puxado por Bacia de Campos

A 14ª Rodada de Licitação de blocos de petróleo e gás terminou com um bônus total recorde de 3,84 bilhões de reais, com 95 por cento desse montante sendo arrecadado em lances por blocos na Bacia de Campos, feitos por Petrobras e Exxon Mobil, que voltou a realizar grandes investimentos no Brasil.

Somente os oito blocos arrematados nessa bacia, a última a ser leiloada, resultaram em um bônus de mais de 3,65 bilhões de reais, montante que salvou uma rodada de licitações que vinha registrando pequeno interesse.

Os grandes lances realizados, em uma área em que a Petrobras detém elevado conhecimento, estariam ligados à possibilidade de ali existirem as produtivas reservas do pré-sal, ainda que o leilão desta quarta-feira não tenha tido como foco esse polígono.

“Não pagaríamos o valor que pagamos se não tivéssemos informações de que isso (áreas em Campos) vale”, disse o presidente da Petrobras, Pedro Parente, ao ser questionado sobre o assunto.

“(Pré-sal) É uma possibilidade nessas áreas porque está vizinho ao pré-sal, e vamos aprofundar isso no momento da exploração”, adicionou ele.

Com um elevado endividamento, o presidente da Petrobras reafirmou que empresa foi “seletiva” em suas ofertas e ressaltou que parcerias como as realizadas com a Exxon são importantes, pois o setor demanda grandes investimentos e há riscos exploratórios.

Nos principais lances, a Petrobras e a Exxon atuaram em parceria. O maior bônus de assinatura do leilão foi de cerca de 2,24 bilhões de reais pelo bloco C-M-346, oferecido pelo consórcio em que cada empresa detém 50 por cento e a estatal brasileira é a operadora.

Mas a Exxon, maior petroleira listada do mundo, entrou sozinha em dois blocos de Campos, com ofertas que superaram 60 milhões de reais, além de ter levado áreas em parceria com Queiroz Galvão e Murphy na Bacia Sergipe-Alagoas.

Atualmente, a companhia com sede nos EUA detém apenas dois blocos em bacias de menor importância (Potiguar e Ceará).

Em entrevista à Reuters, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, afirmou que a entrada mais forte da Exxon no Brasil é uma questão estratégica para a empresa norte-americana. Ele disse acreditar que a petroleira fará também ofertas por áreas do pré-sal, em dois leilões de outubro.

O certame desta quarta-feira ocorreu em meio a protestos de um pequeno grupo de manifestantes contrários à exploração de petróleo, que tentou invadir o local do leilão em um hotel no Rio de Janeiro.

Os manifestantes foram detidos por seguranças e impedidos de entrar. Apesar da tensão, o leilão prosseguiu normalmente e as pessoas que protestavam, algumas vestidas com roupas indígenas, foram retiradas do hotel.

LANCES SALVADORES

Pode-se dizer que os lances bilionários do consórcio formado por Petrobras e Exxon salvaram a rodada em termos de arrecadação para o governo federal, já que contrastaram com os outros arremates “modestos” ocorridos na 14ª Rodada.

Após o certame, o diretor-geral da reguladora ANP, Décio Oddone, disse que as ofertas na Bacia de Campos “surpreenderam positivamente”, com as mudanças regulatórias realizadas pelo governo tornando o ambiente de negócios mais atraente a empresas de diferentes portes.

O número final da 14ª Rodada superou as expectativas do governo, que esperava arrecadar ao menos 1 bilhão de reais.

Apesar da boa arrecadação com a Bacia de Campos, o total de blocos arrematados na rodada (37) representou quase 13 por cento dos 287 ofertados, um índice baixo frente a rodadas anteriores.

No último leilão do gênero, em 2015, quando a Petrobras não participou em meio ao escândalo de corrupção que atingiu a empresa, apenas 14 por cento dos blocos foram arrematados, ante cerca de 50 por cento das áreas levadas em uma rodada em 2013, após um período de cinco anos sem licitações da ANP.

No leilão desta quarta-feira, participaram ao todo 20 empresas, originárias de oito países. Delas, 17 arremataram blocos, sendo dez nacionais e sete de origem estrangeira.

A 14ª Rodada começou por volta das 9h com a Parnaíba Gás Natural, subsidiária integral da elétrica Eneva levando cinco blocos na Bacia do Parnaíba.

Na Bacia de Santos, onde havia expectativa de maior interesse por parte das companhias, somente um dos 76 blocos foi arrematado pela empresa australiana Karoon.

Quanto à Bacia do Recôncavo, 7 dos 27 blocos foram levados pelas empresas Petroil, Guindaste Brasil, Tek e Great Energy.

Já na Bacia Potiguar apenas um bloco foi arrematado dentre os 62 ofertados, tendo a empresa Geopark Brasil como vencedora, enquanto a Bacia de Pelotas não recebeu ofertas.

A chinesa CNOOC e a espanhola Repsol levaram áreas marítimas na Bacia do Espírito Santo, com bônus de 23,55 milhões e de 23 milhões de reais, respectivamente.

Por fim, na Bacia do Paraná, a Petrobras arrematou um bloco por 1,690 milhão de reais.

Conforme a ANP, a assinatura dos contratos está prevista para ocorrer até o dia 31 de janeiro de 2018. A área total arrematada foi de 25,011 mil quilômetros quadrados.

Fonte: Reuters

Leilões do pré-sal atraem as maiores petroleiras do mundo, 11 empresas ao todo

Os dois leilões de áreas para exploração de petróleo e gás no pré-sal que o Brasil realizará em 27 de outubro atraíram algumas das maiores petroleiras do mundo, informou nesta terça-feira a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que anunciou que oito empresas foram habilitadas para a para a segunda rodada e 11 para a terceira.

Entre as habilitadas estão a norte-americana ExxonMobil, a brasileira Petrobras, a norueguesa Statoil, a espanhola Repsol e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, entre outras.

Todas as empresas habilitadas para a segunda rodada também estão habilitadas para a terceira. Das aprovadas, dez são de origem estrangeira e apenas uma, a Petronas, ainda não possui contrato para exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil, segundo a ANP.

A segunda rodada vai oferecer aos investidores as áreas unitizáveis adjacentes aos prospectos de Carcará (bloco BM-S-8), Gato do Mato (bloco BM-S-54), Campo de Sapinhoá, na bacia de Santos, e Campo de Tartaruga Verde (jazida compartilhada de Tartaruga Mestiça), na bacia de Campos. Os bônus de assinatura totalizam 3,4 bilhões de reais.

A terceira rodada ofertará as áreas de Pau Brasil, Peroba e Alto de Cabo Frio-Oeste, na Bacia de Santos, e a área de Alto de Cabo Frio-Central, nas Bacias de Santos e Campos. O valor dos bônus de assinatura soma 4,35 bilhões de reais.

No regime de partilha, ganha o leilão o consórcio ou empresa que oferecer o maior percentual de óleo ao governo.

A agência disse, em nota, que havia recebido dez manifestações de interesse para a segunda rodada e 15 para a terceira.

Com restrições de orçamento enquanto busca reduzir seu elevado endividamento, a Petrobras já afirmou que exercerá o direito de preferência em apenas três dos oito prospectos.

A Petrobras estimou em 810 milhões de reais o valor correspondente ao bônus de assinatura a ser pago pela companhia, considerando que os resultados dos leilões confirmem apenas as participações mínimas de 30 por cento indicadas em cada bloco.

Na segunda rodada, a estatal exercerá o seu direito em Sapinhoá, um dos maiores campos do Brasil já em produção, onde a empresa já tem participação, enquanto na terceira a Petrobras exercerá preferência nos prospectos exploratórios de Peroba e Alto de Cabo Frio-Central.

Veja a lista completa das empresas:

Habilitadas para a 2ª Rodada do pré-sal:

1 – ExxonMobil Exploração Brasil Ltda.- Habilitada (Operadora A) – Estados Unidos

2 – Petrogal Brasil S.A. – Habilitada (Não Operadora) – Portugal

3 – Petrobras – Habilitada (Operadora A) – Brasil

4 – Petronas Carigali SDN BHD – Habilitada (Operadora A) – Malásia

5 – Repsol Sinopec Brasil S.A. – Habilitada (Operadora A) – Espanha

6 – Shell Brasil Petróleo Ltda.- Habilitada (Operadora A) – Reino Unido

7 – Statoil Brasil Óleo e Gás Ltda.- Habilitada (Operadora A) – Noruega

8 – Total E&P do Brasil Ltda.- Habilitada (Operadora A) – França

Habilitadas para a 3ª Rodada do pré-sal:

1- BP Energy do Brasil Ltda.- Habilitada (Operadora A) – Reino Unido

2 – CNODC Brasil Petróleo e Gás Ltda.- Habilitada (Não Operadora) – China

3 – ExxonMobil Exploração Brasil Ltda.- Habilitada (Operadora A) – Estados Unidos

4 – Petrogal Brasil S.A. – Habilitada (Não Operadora) – Portugal

5 – Petrobras – Habilitada (Operadora A) – Brasil

6 – QPI Brasil Petróleo Ltda.- Habilitada (Não Operadora) – Catar

7 – Petronas Carigali SDN BHD – Habilitada (Operadora A) – Malásia

8 – Repsol Exploración S.A.- Habilitada (Operadora A) – Espanha

9 – Shell Brasil Petróleo Ltda.- Habilitada (Operadora A) – Reino Unido

10 – Statoil Brasil Óleo e Gás Ltda. – Habilitada (Operadora A) – Noruega

11 – Total E&P do Brasil Ltda. – Habilitada (Operadora A) – França

Fonte: Reuters

Wilson Sons Ultratug e Petrobras negociam redução de 6% na taxa diária e supensão por até 858 dias de oito PSVs

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Divulgação Wilson Sons Ultratug Offshore

A Wilson Sons Ultratug Offshore anunciou que negocia novos termos contratuais para oito PSVs que estão em operação para a Petrobras. Em comunicado ao mercado, a empresa na qual a Wilson Sons detém 50% de participação acionária e a chilena Ultratug os demais 50%, detalhou que a negociação vai considerar uma redução de aproximadamente 6% na taxa diária média da frota e até 858 dias de suspensão para todos os navios combinados.O objetivo é prorrogar os prazos originais dos contratos por um período igual à suspensão. De acordo com a WS Ultratug, a suspensão temporária desses contratos deve-se ao cenário atual de demanda reprimida.

A empresa informou ainda que continua buscando novas oportunidades para aumentar a utilização da frota. Em julho de 2017, a WS Ultratug classificou-se em primeiro e segundo lugar com embarcações de bandeira brasileira em uma licitação da Petrobras para o fornecimento de embarcações de apoio ao mergulho de águas rasas (SDSVs), ofertando os PSVs Mandrião e Pardela. Em setembro de 2017, a WSUT classificou-se em primeiro e segundo lugar em outra licitação da Petrobras para o fornecimento, em maio de 2018, de embarcações de apoio à plataformas e recuperação de derramamentos de óleo (OSRV/PSVs), ofertando os navios Albatroz e Gaivota.

Fonte: Portos e Navios

Gás do pré-sal será 64% do total produzido no País em 2026, prevê EPE

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A produção de gás natural do pré-sal vai corresponder a 64% da produção total do insumo em 2026, contra a participação de 41% atualmente. Essa é a previsão apresentada pelo superintendente de Gás Natural e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Giovani Machado, em palestra nesta segunda-feira, 25, no 18º Seminário de Gás Natural promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).

“Será um crescimento de 16 milhões de metros cúbicos por dia até 2026. A gente percebe uma participação crescente do pré-sal dentro da oferta nacional”, disse o executivo.

O aumento da oferta poderá compensar a redução de fornecimento por parte da Bolívia, país que não vem conseguindo atrair investimentos no setor.

Machado informou que o contrato com a Bolívia deve cair do atual patamar, de até 30 milhões de metros cúbicos diários, para algo em torno de 20 a 16 milhões de metros cúbicos diários. O contrato vence em 2019 e as discussões já foram iniciadas com o objetivo de conclusão em 2018.

Fonte: Estadão

Macaé quer renascer com os novos leilões

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Macaé foi escolhida em 1978 para ser sede da Petrobrás na bacia de Campos, uma imensa região petrolífera que agora começa a se esgotar. No início, quando ainda não existia o pagamento de royalties, a agricultura e a pescaria dominavam a economia da cidade que fica a três horas da capital fluminense, na região nordeste do Estado.

Com a aprovação da Lei do Petróleo, em 1997, os royalties passaram a ser relevantes para as cidades produtoras, e Macaé consolidou a imagem de capital nacional do petróleo. Sua população pulou do patamar de 40 mil na década de 1970 para mais de 200 mil habitantes atualmente.

Mas nos últimos sete anos a produção de petróleo da bacia de Campos deixou a marca dos 2 milhões de barris por dia em 2010, auge da sua produção, para cerca de 1,4 milhão de barris diários atualmente. O preço do petróleo caiu pela metade e os leilões de áreas para exploração foram interrompidos.

“Passamos de 163 mil postos de trabalho em 2012 para 125 mil este ano, essa é a grande mazela da crise”, lamenta o prefeito de Macaé, Aluízio dos Santos Júnior (PMDB). Para ele, os investimentos para recuperação de poços maduros da Bacia de Campos e a retomada dos leilões do governo podem trazer esperança para a cidade.

A cada sonda instalada na bacia, mil empregos eram gerados, lembra o presidente da Associação Comercial e Industrial de Macaé, Emerson Esteves, lamentando que agora é o inverso. “Se 20 sondas deixam a bacia, 20 mil perdem o emprego”, avalia o empresário.

Com a volta dos leilões e a expectativa da exploração de campos maduros, a previsão é de que em alguns anos a cidade pode voltar a empregar e a receber royalties mais expressivos. “É fundamental investir na bacia de Campos, por isso é importante que se aumente o fator de recuperação da bacia (hoje em 24%, contra média mundial de 35%) e que a produção volte a aumentar”, conclui o prefeito.

Fonte: Estadão

Cade aprova venda da Hamburg Süd para a Maersk

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou a compra da transportadora marítima alemã Hamburg Süd pela Maersk, conglomerado dinamarquês que atua nos setores de transporte e energia.

O negócio já foi aprovado nos Estados Unidos, União Europeia, Austrália, Costa Rica, Equador, Israel, Japão, México, Marrocos, Nova Zelândia, Paquistão, Suíça, Tunísia, Turquia e Ucrânia. Há notificações em análise no Chile, China, Colômbia, Honduras, Paraguai, África do Sul e Coreia do Sul.

De acordo com a Maersk, conforme explicado em relatório da Superintendência Geral do Cade, a “operação representa a combinação de duas empresas de transporte marítimo regular de contêineres com ofertas complementares em termos geográficos e de clientela, possibilitando a geração de eficiências de custos significativa”.

A autoridade antitruste entendeu que de todos os mercados em que as duas empresas operam, “apenas os de transporte marítimo regular de contêineres, movimentação de contêineres, manutenção e reparo de contêineres (Itapoá) e cabotagem demandaram uma análise mais aprofundada quanto à probabilidade de exercício de poder de mercado em decorrência do ato de concentração”.

Entretanto, “a apreciação da rivalidade no mercado, de forma individualizada rota a rota e sob a perspectiva global, afastou a probabilidade de exercício de poder de mercado por parte da Maersk após a operação”. Outro ponto destacado pelo Cade foi a “iniciativa unilateral da Maersk, por meio do desinvestimento da Mercosul”, o que afastou preocupações concorrenciais no mercado de cabotagem.

Fonte: Valor

País tem oportunidade de se tornar produtor relevante

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Com um calendário de novas licitações de blocos exploratórios definido até 2019, o Brasil não está sozinho na tentativa de atrair investimentos das petroleiras. Segundo a Wood Mackenzie, além da 14ª Rodada e dos leilões do pré-sal, existem outras 25 licitações previstas até abril de 2018, no mundo. A avaliação da consultoria é que o Brasil melhorou sua atratividade desde o ano passado e que a oferta de novas áreas chega numa “janela de oportunidades crítica”, no contexto global, para que o país se posicione como um produtor relevante de petróleo na próxima década.

De acordo com a WoodMac, a demanda por petróleo deve atingir o seu pico a partir de meados da próxima década e países de todo o mundo entraram numa corrida para ver quem terá papel de protagonismo no abastecimento do mercado global. Segundo o chefe da consultoria no Brasil, Pedro Camarota, este é o momento para que o Brasil explore seus recursos.

“Nesse horizonte, o Brasil precisará se posicionar sobre qual o seu papel no suprimento. Se não destravarmos essas áreas e mapearmos nossos recursos, se não licitarmos essas áreas agora, elas certamente não vão entrar em produção na próxima década. Isso significa que o Brasil vai eventualmente produzir esses barris quando o mercado estiver declinando e as margens sejam menores”, avalia o consultor.

Segundo Camarota, a percepção sobre o ambiente de negócios no Brasil melhorou muito desde o ano passado, a partir de medidas como a flexibilização da política de conteúdo local e o fim da exclusividade da Petrobras na operação do pré-sal. A Wood Mackenzie, no entanto, destaca que o Brasil não está sozinho no mercado e que muitos outros países ao redor do mundo têm ajustado seus termos fiscais, na tentativa de atrair investimentos.

Na avaliação da consultoria, a instituição de um calendário de rodadas até 2019 e a materialidade das reservas do pré-sal são os principais atrativos do mercado brasileiro, enquanto as incertezas em torno do processo de licenciamento ambiental são pontos negativos.

A Wood Mackenzie estima que ainda existem cerca de 22 bilhões de barris a serem descobertos no pré-sal – dez bilhões a mais que as reservas provadas do país, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Os ativos abaixo da camada de sal, no Brasil, de acordo com a consultoria, estão entre os mais competitivos hoje no mundo.

“É difícil imaginar um outro lugar com esses recursos. E não é uma questão só de volume, é de produtividade também. É muito difícil encontrar lugares com uma produtividade tão significativa, o que faz do pré-sal muito econômico. Os volumes são grandes, têm escala”, destaca o diretor de Pesquisa, Horacio Cuenca.

Segundo a consultoria, as próximas rodadas da ANP servirão para medir a atratividade do mercado brasileiro e se os termos fiscais estão bem ajustados. No entanto, segundo a empresa, o principal desafio do setor no Brasil não está na atração de petroleiras interessadas, mas na capacidade da indústria de entregar os projetos.

“Há descobertas pequenas e médio porte que têm dificuldades de serem viabilizadas e correm muito mais risco de ficar no subsolo. Na margem equatorial, por exemplo, as bases logísticas são distantes, não há infraestrutura logística, é muito mais complexo”, comenta Cuenca.

Fonte: Valor

MPF investiga denúncia de formação de cartel na cabotagem

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O Ministério Público Federal (MPF) investiga denúncia de formação de cartel no segmento de cabotagem. O inquérito apura se companhias de transporte marítimo e funcionários da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) estariam atuando em conjunto comprometendo a competitividade nesse mercado. A denúncia foi apresentada à Procuradoria Geral do Distrito Federal (PGR-DF) pela empresa Posidonia Shipping, que estima prejuízo superior a R$ 30 milhões devido a “decisões anti-competitivas” por parte da agência desde 2013, quando a companhia entrou em operação.

A Posidonia relata excesso de rigor e afirma que alguns servidores da Antaq foram “cooptados” pelo suposto cartel. A empresa levou o assunto ao conhecimento do MPF, que encaminhou o tema para o 5º núcleo de combate à corrupção. O inquérito, aberto em setembro de 2016, investiga a denúncia de que a agência estaria privilegiando interesses de empresas membros da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac). A defesa acusa os funcionários da agência reguladora de perseguir e prejudicar a empresa, inclusive com aplicação de multas.

O objeto principal da denúncia refere-se à resolução 1/2015 da Antaq, que trata das regras de contratação de navios estrangeiros por empresas brasileiras. Na visão da Posidonia, a resolução 01/15 foi editada sem estudo de impacto regulatório, criando reserva de mercado e trazendo restrições ao afretamento de navios estrangeiros, o que beneficia armadores consolidados e vinculados à Abac. O argumento é que a norma contraria a Lei 9.432/97, que estabelece como requisito ao afretamento de embarcações estrangeiras a inexistência ou indisponibilidade de uma embarcação brasileira do tipo e porte adequados ao transporte pretendido.

A Posidonia também reivindica o direito de afretar embarcação estrangeira em substituição ao navio Posidonia Bravo, de sua propriedade, que está em construção no estaleiro Vitória, em Triunfo (RS) desde 2015. A defesa diz que, apesar de ter demonstrado que a construção do navio preenche os requisitos da resolução 1/15, a empresa não conseguiu obter posicionamento da Antaq sobre a possibilidade de ter acesso a navios estrangeiros de transporte de contêineres e carga geral. “Não obstante os diversos requerimentos enviados à diretoria e à gerência de afretamento, toda a agência se mantém em silêncio, na mais destrutiva e penalizante omissão”, afirma a empresa.

A empresa solicitou um parecer jurídico a partir dos termos das normas e procedimentos administrativos adotados pela agência reguladora. Enquanto a embarcação é construída, a Posidonia afretou uma embarcação estrangeira (P Fenix). “Foi justamente nessa etapa de emissão do CAA (certificado de autorização do afretamento) que se iniciou uma série de atos no âmbito da Antaq que impediram a emissão do certificado e a operação da P Fenix“, diz o parecer, de abril de 2016. A Posidonia conseguiu mandado de segurança e o corpo técnico da Antaq deu parecer favorável à continuidade da construção.

A Posidonia também afirma que sua participação no mercado de movimentação de contêineres de importação foi reduzida a zero, enquanto a participação das concorrentes dela aumentou até 85%, desde quando entrou em vigor a resolução 1/2015 da Antaq. A empresa elaborou um quadro comparativo, a partir de informações da agência, que demonstra os efeitos diretos da norma no mercado de cabotagem. “A Posidonia foi alijada do seu tradicional mercado de movimentação de contêineres de importação através de transbordo e de carga geral, sem falar dos clientes de granéis”, diz o presidente da empresa, Abrahão Salomão.

Procurados pela Portos e Navios nas últimas semanas, a Antaq, a Abac e o Sindicato nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) não comentaram o assunto até o fechamento desta matéria. Durante palestra na Marintec South America, em agosto, o vice-presidente executivo do Syndarma, Luis Fernando Resano, disse que as atividades de navegação no Brasil têm segurança jurídica no marco regulatório (Lei 9.432/1997) e nas normas da Antaq. Na ocasião, ele destacou que as resoluções 1 e 5 são muito importantes para o setor e estabelecem como o mercado precisa ser regulado no momento. O Syndarma entende que a resolução 1/2015 é uma norma recente e que não há razões para ela ser revista no momento. Ele ressaltou que a resolução 1/2015 foi um trabalho aberto e participativo com mais de 600 contribuições.

Resano disse nesse evento que o Syndarma sempre defendeu a regulação e fiscalização por parte da agência reguladora. Ele defendeu que a Antaq precisa ser forte e que o governo precisa dar força para a agência. “Tem que ser forte na regulação e na fiscalização. Defendemos fiscalização igual para todos e, se a empresa não cumprir, tem que ter punição”, afirma. Ele acrescentou que a fiscalização é importante para implementar o que foi regulado e acredita que é um processo que está sempre se aprimorando.

Fonte: Portos e Navios

“Pré-sal é onde todo mundo quer estar”, diz presidente da Shell no Brasil

O pré-sal brasileiro “é o lugar onde todo mundo quer estar”, afirmou ontem o presidente da Shell no Brasil, André Araújo. Apesar do entusiasmo, o executivo afirmou, no entanto, que não há um carimbo de qualidade válido para toda a área, numa demonstração de que a empresa tem na manga diferentes apostas para os blocos que serão oferecidos nos leilões de outubro.

Durante a conversa, Araújo repetiu enfaticamente as palavras oportunidade e competitividade ao tratar dos planos para o Brasil. Ele defende, por exemplo, que a plataforma que produzirá o primeiro óleo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, seja contratada ainda este ano, apesar da contestação na Justiça dos estaleiros nacionais, que acusam o consórcio responsável pela área de descumprir os compromissos de contrato de aquisição local.

Araújo disse ainda que “seria bom” se a Shell levasse a área contígua a Gato do Mato no próximo leilão. A primeira fase do projeto foi adquirida pela empresa em regime de concessão, mas, desde a descoberta de que o reservatório excede os limites concedidos, o projeto está parado. Por fim, a continuação de Gato do Mato foi incluída no leilão de pré-sal de outubro e o mercado, agora, aposta na Shell como principal interessada no ativo.

Fonte: Época Negócios