Monthly Archives: julho 2017

Lucro da Exxon Mobil decepciona mercado; Chevron se destaca

A Exxon Mobil informou resultados abaixo do esperado nesta sexta-feira, a única produtora internacional de petróleo a fazê-lo no último trimestre, após uma queda de produção em suas operações africanas e canadenses.

Os resultados da empresa foram ofuscados pela rival Chevron, que ultrapassou facilmente as expectativas de Wall Street, após aumento percentual de dois dígitos na produção.

A Royal Dutch Shell, a Total e a Statoil esta semana também entregaram lucros acima das estimativas.

A Chevron por anos minimizou os lucros para investir fortemente em megaprojetos na Austrália, no Golfo do México e em outras localidades. Os investimentos agora estão rendendo lucros à empresa, ao passo que a Exxon tem menos projetos para entrar em operação e muitos dos seus ativos mais antigos exigem mais capital para serem conservados.

Apesar de uma alta no lucro trimestral, a empresa texana informou uma queda de 1 por cento na produção.

As ações da Exxon fecharam com queda de 1,5 por cento, a 79,6 dólares, nesta sexta-feira, enquanto os papéis da Chevron ganharam quase 2 por cento, cotadas a 108,12 dólares por ação.

O lucro líquido da Exxon ficou em 3,35 bilhões de dólares, ou 0,78 dólar por ação, no segundo trimestre, ante 1,7 bilhões, ou 0,41 dólar por ação, no mesmo período do ano anterior. Os analistas esperavam ganhos de 0,84 dólar por ação, segundo a Thomson Reuters I/B/E/S.

Na África, onde a empresa produz na Nigéria, Angola e outros países, a produção caiu 16 por cento devido ao declínio dos campos e atrasos nos projetos. A Imperial Oil, que é majoritariamente controlada pela Exxon e opera no Canadá, informou prejuízo liquido, o que prejudicou os resultados da Exxon no país.

Fonte: Reuters

Wilson Sons Estaleiros entrega rebocador SST Aimoré

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A Wilson Sons Estaleiros concluiu a construção de mais uma embarcação. A companhia entregou na última semana o rebocador SST Aimoré, o primeiro dos quatro que foram encomendados pela SAAM SMIT Towage Brasil.

“Foram 16 meses de trabalho árduo. Seguindo nossos princípios e valores fundamentais, entregamos o SST Aimoré nos termos contratados e com as melhores políticas de Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS) do mercado brasileiro. Como resultado, o rebocador foi construído com capacidade superior ao que havia sido contratado”, destaca Adalberto Souza, diretor executivo da Wilson Sons Estaleiros.

O contrato previa que o rebocador tivesse tração estática (bollard pull) de 70 toneladas, mas a Wilson Sons foi além e entregou com 72 toneladas de tração. A embarcação tem 24 metros de comprimento e 11 metros de largura. Conta com propulsão azimutal e projeto da Damen International.

“Estamos muito satisfeitos com esta entrega no prazo, de acordo com as especificações e dentro do orçamento. Isso cria confiança para uma parceria contínua com a Wilson Sons Estaleiros”, afirmou Pieter van Stein, CEO da SAAM SMIT Towage Brasil.

Até o final deste ano, a SAAM SMIT Towage Brasil deve receber mais um rebocador construído pela Wilson Sons Estaleiros e outros dois estão previstos para 2018. A companhia está construindo ainda duas embarcações para a Wilson Sons Rebocadores.

Fonte: Portos e Navios

Porto do Açu recebe visita de representantes do Porto da Antuérpia e autoridades da Bélgica

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O Porto do Açu recebeu nesta terça-feira (25) a visita de representantes do Porto da Antuérpia Internacional (PAI), que foi divulgado como novo parceiro do empreendimento. No encontro, que contou com a participação de autoridades municipal, estadual e federal, além de empresários e representantes da Bélgica, foram celebradas as oportunidades de negócio que surgem a partir da parceria.

“Hoje é um dos dias mais importantes da história do Porto do Açu. Nossa parceria tem visão de longo prazo, e reúne a experiência do PAI na operação e desenvolvimento de um complexo porto-indústria com as oportunidades que o Porto do Açu oferece, como ser um complexo portuário privado, operacional e com retroárea disponível”, comentou José Magela, presidente da Prumo Logística, empresa que desenvolve e opera o Porto do Açu.

Durante a visita, Kristof Waterschoot, presidente do PAI, reforçou os motivos da escolha do Porto do Açu como parceiro. “O Porto do Açu tem 90 quilômetros quadrados de área e localização estratégica, além de reunir componentes que são vantajosos em termos de movimentação de cargas, logística e indústria, e isso certamente é extremamente importante para o desenvolvimento de ambos os portos. Nós estivemos em contato com dezenas de outras possibilidades aqui no país e escolhemos o Porto do Açu”, disse.

O grupo, formado por cerca de 70 pessoas, visitou as instalações do Terminal Multicargas, Terminal de Petróleo e Terminal de Minério de Ferro, além das áreas dos clientes instalados no complexo. Ao final da visita, foi realizada uma cerimônia para celebração da parceria.

Na cerimônia, o embaixador da Bélgica no Brasil, Dirk Loncke, ressaltou a importância da parceria para os dois países. “O Porto do Açu é realmente impressionante. Trata-se de um projeto grandioso e muito bem desenvolvido. Esta parceria, hoje, me deixa muito orgulhoso. Estamos assinando um acordo comercial com foco no futuro, que certamente abre caminho para novos acordos entre a Bélgica e o Brasil”, disse o embaixador.

Para Carla Machado, prefeita de São João da Barra, o município passa a ser a porta de entrada para a Europa. “Estamos juntos nessa parceria que irá beneficiar não somente São João da Barra e o Norte Fluminense, mas sim todo o país”. A prefeita ainda ressaltou a importância da criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no Porto do Açu.

José Newton Barbosa, chefe da assessoria internacional do governo federal, também comentou sobre a ZPE. “Este é um empreendimento exemplar, que une o desenvolvimento industrial, a conjuntura porto-indústria e a logística. Eu faço questão de mencionar com o ministro que a instalação de uma ZPE aqui é um fator fundamental para o desenvolvimento da região”, disse.

Governo vai analisar propostas de privatização da dragagem

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O Governo Federal criará um grupo de trabalho para analisar propostas de soluções de problemas que envolvem a dragagem do Porto de Santos. A primeira alternativa deve ser encaminhada na segunda semana de agosto e prevê a concessão do serviço à iniciativa privada, através da criação de um consórcio.

O grupo de trabalho deverá reunir representantes de órgãos do governo, como Casa Civil, Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Advocacia Geral da União (AGU). O aval para o recebimento de propostas foi do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco.

A informação é do deputado federal Beto Mansur (PRB), que participou de reunião com empresários do Santos Export – Fórum Internacional para a Expansão do Porto de Santos. O evento, organizado pelo Grupo Tribuna e pela Una Marketing de Eventos, chega a sua  15ª edição, em setembro.

Além de Mansur, participaram do encontro os deputados federais João Paulo Papa (PSDB) e Marcelo Squassoni (PRB). Os parlamentares ouviram os relatos de entidades que reúnem usuários do Porto de Santos sobre os prejuízos causados pelo assoreamento (deposição de sedimentos) no canal de navegação do cais santista.

“Eu estou trabalhando há bastante tempo para ter um grupo de trabalho para discutir dragagem no Brasil. É lógico que nós do Porto de Santos, por ser o maior da América Latina, seremos protagonistas nesta reunião”, destacou Mansur.

No entanto, segundo ele, a proposta apresentada pelos empresários deve levar em consideração os possíveis impactos que a concessão da dragagem à iniciativa privada poderá trazer aos cofres da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Isto acontece porque parte da tarifa cobrada para garantir a infraestrutura aquaviária do complexo deixará de ser arrecadada pela Autoridade Portuária.

“Não sei a proposta que vem dos empresários, mas há uma preocupação da Codesp. A gente vai ter que, de alguma maneira, nesse grupo, equacionar isso e encaminhar para o governo”, afirmou Mansur.

Para Papa, o governo se mostra sensível para analisar propostas. Por isso, as entidades, a comunidade local e os parlamentares devem aproveitar o momento para sugerir soluções.

“O Porto de Santos sempre liderou os movimentos de modernização e aprimoramento da gestão portuária no Brasil porque é nosso papel, nossa responsabilidade. E, mais uma vez, nós estamos diante de uma situação como esta. Há um impasse em relação à nossa capacidade de realização do serviço de dragagem. Isso é fato e está prejudicando o Porto, a economia regional e a economia nacional porque os reflexos são para toda a cadeia produtiva brasileira”, destacou.

Ideias inovadoras

Para Squassoni, a discussão de soluções para os problemas da dragagem do Porto de Santos aproxima a Autoridade Portuária, os empresários da região e os deputados.

“As ideias apresentadas aqui são inovadoras e podem ser utilizadas em outros estados. A gente espera que, formando esse grupo de trabalho, a gente possa influenciar os outros portos e realmente trazer uma solução imediata para a nossa região que está perdendo empregos, dinheiro e deixando de mostrar que Santos pode continuar sendo o maior porto do Brasil”.

Consórcio

A proposta que será encaminhada, nos próximos dias, por dez entidades portuárias prevê a criação de um consórcio formado por arrendatários, operadores portuários, terminais privados e, possivelmente, a Autoridade Portuária.

A nova empresa, que pode ser uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), terá como único objetivo garantir a dragagem do Porto de Santos. Como remuneração, ela receberá parte da tarifa destinada à manutenção das profundidades do cais santista. Pela proposta, a entidade não terá fins lucrativos.

Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Associação Comercial de Santos (ACS) e Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) fazem parte das entidades que elaboraram a proposta. E também o Centro Nacional de Navegação (Centronave), a Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), o Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar) e o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp).

Fonte: A Tribuna

Triunfo tenta barrar acesso do BNDES a dinheiro da Portonave

O principal objetivo da Triunfo Participações e Investimentos (TPI) ao entrar com recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 2,1 bilhões em dívidas foi blindar a empresa contra o BNDES. O banco executou mais de R$ 1 bilhão que controladas da TPI lhe devem. Por isso, o grupo quer evitar que o banco bloqueie os recursos obtidos da venda recente de seus 50% na Portonave por R$ 1,3 bilhão.

A empresa protocolou, na sexta-feira, dois planos de recuperação extrajudicial – R$ 2,1 bilhões da holding, sendo que boa parte terá carência de juros e principal de quatro anos e posterior pagamento em quatro parcelas anuais – e R$ 700 milhões especificamente da controlada Concer. Esse segundo valor integra o total da holding, pelo fato de ser sua garantidora.

A Concer é uma das concessionárias cujo empréstimo-ponte, no valor de R$ 290 milhões, não foi pago ao BNDES, o que resultou em execução pelo banco. O mesmo ocorreu com a Concebra, que deixou de honrar R$ 760 milhões. Com o pedido de recuperação, ficam suspensas essas execuções e, quando o plano for homologado, em 45 dias, elas serão eliminadas.

A preocupação da TPI era que o banco pudesse se apropriar dos recursos da venda da Portonave, que já têm destino certo. Serão usados para quitar empréstimo, considerado bastante “tóxico”, que contraiu com o fundo americano Farallon em novembro – a 14% de juros ao ano mais variação cambial, e pelo qual deu as ações da Portonave em garantia. O valor total a ser pago deve ficar em torno de R$ 750 milhões. O restante será usado para reforçar o caixa da companhia.

Além de ser autor das execuções de que o grupo tenta se proteger, o BNDES é o credor, dentre os 20 envolvidos no processo, que representa a maior parte da dívida reestruturada. Ainda assim, não pode votar no processo de recuperação extrajudicial por ser parte relacionada – por meio da BNDESPar é acionista da TPI.

A dívida total somava R$ 3,8 bilhões no fim de março, mas, segundo o presidente, Carlo Bottarelli, o restante não precisava ser renegociado, devido a parte ser na modalidade “project finance” – em que os pagamentos são sustentados pelo fluxo de caixa do empreendimento – e porque outra parcela dos compromissos seria resolvida por meio de venda de ativos.

Essa via, porém, apresenta desafios. Além de Portonave, a Triunfo havia listado sua fatia no aeroporto de Viracopos (SP), a participação que detém em Tijoá (gestora da hidrelétrica de Três Irmãos), e um terreno que tem em Santos.

Viracopos, contudo, se tornou uma incógnita no curto prazo. O ativo sofre dificuldades regulatórias e, no momento, sua alienação é considerada difícil. Além disso, a TPI foi pega de surpresa pelo anúncio de recuperação judicial da UTC, sua sócia no negócio. “É uma situação complicada, estamos avaliando.” Como se não bastasse, sem dinheiro, os sócios deixaram de depositar a outorga referente ao ano de 2016 e a Anac, agência reguladora, executou o seguro-garantia.

O terreno ao lado do porto santista, avaliado em R$ 300 milhões, saiu da lista de vendas porque o grupo entendeu que ele tem valor superior ao que conseguiria como ativo eminentemente imobiliário. Resta apenas a concessionária de energia Tijoá, que ainda receberá propostas vinculantes.

Fonte: Valor

Estaleiro Atlântico Sul espera obter carência de dívida para ganhar fôlego financeiro

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Com quase dez anos de operação, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) deve finalmente fechar o ano  com resultado operacional positivo. Hoje são necessárias 80 horas/homem (HH)  para produção de uma tonelada de navio. A média nacional é de 200 HH. Mas o resultado ainda não se reflete em receita. Os custos ainda são altos. O principal deles referente a financiamentos: anualmente são R$ 350 milhões destinados a esse fim. A dívida total é de R$ 1,6 bilhão (sendo R$ 1,3 bilhão junto ao BNDES), valor que deve ser pago até 2027. Além disso, a falta de novos contratos gera incertezas. A carteira de encomendas em andamento segue até 2019. A partir daí, o destino do projeto depende de uma série de fatores. Por isso, é fundamental para o estaleiro uma Medida Provisória (MP) que dê carência de dois anos dos seus financiamentos junto ao governo federal.

Para garantir o funcionamento, dois contratos estão em fase de negociação com a South American Tanker Company Navegação S.A. (Satco). Mas antes de assinar, a empresa aguarda a divulgação de demanda da Petrobras, justificando o investimento que chega a R$ 2,2 bilhões. “O primeiro contrato diz respeito à construção de oito petroleiros MR (Medium Range). Seriam quatro para transporte de óleo e quatro para transporte de produto. E aí o que se diz é que para esses últimos não haveria demanda. Não acreditamos que seja assim, afinal, hoje se importa navios, porque isso acontece se podemos produzir? Por isso, aguardamos a divulgação da demanda pela Petrobras, o que deve acontecer em julho”, explicou o presidente do EAS, Harro Burmann.

O Fundo de Marinha Mercante inclusive já concedeu prioridade de apoio financeiro à Satco para a aquisição dessas embarcações. “Já deveríamos estar em fase de projeto para iniciar a produção em 2019”, disse Burmann. O segundo contrato junto à Satco é para construção de cinco navios petroleiros Suezmax DP2. “Nesse caso, o cliente diz que encomendas serão mantidas, porém, o start nesses projetos não seria agora”, detalhou o presidente. A Satco é uma empresa brasileira de navegação (EBN), com investidores internacionais e ligação com a Eastern Pacific Shipping (EPS), a maior companhia privada de navegação do mundo, com sede em Cingapura.

Enquanto aguarda  a divulgação das informações de mercado pela Petrobras para avançar com os contratos, o Atlântico Sul espera que o governo federal publique uma Medida Provisória (MP) que autorize a renegociação, em 24 meses, a contar da data de publicação do documento, dos financiamento contratados até 31 de dezembro de 2015 pelas empresas de navegação e estaleiros brasileiros junto aos agentes financeiros do Fundo da Marinha Mercante.

“Com essa MP, teríamos uma carência de dois anos para nos organizar. Seria o tempo de maturação. Temos investidores nos visitando, mas quem investirá agora? Imagina um investidor estrangeiro acreditar no Brasil agora! A crise foi um momento de criatividade. Amortizamos processos, organizamos a produção, investimos R$ 27 milhões em uma cabine de pintura, que era um gargalo. Hoje somos um modelo e os investidores sabem disso, tanto que nos procuram”, enfatizou o presidente do EAS.

Atualmente, o EAS atua na construção de quatro navios. O último Suezmax (de um total de dez) está na fase de acabamento. Batizado de Abdias Nascimento, o petroleiro deve ser entregue entre agosto e setembro deste ano à Transpetro. No dique seco, está o navio Castro Alves, o 11º das encomendas realizadas pela subsidiária da Petrobras. O navio 12 (que ainda não foi batizado) está na fase de pintura e acabamento dos blocos). Em paralelo, o  empreendimento realiza o corte das chapas do projeto de número 13. As encomendas fazem parte Programa de Expansão e Modernização da Frota (Promef).

Fonte: Diário de Pernambuco

Chinesa negocia financiamento de R$ 1,4 bi para porto de São Luís

A China Communications Construction Company (CCCC) está estruturando, junto a bancos chineses, o financiamento de R$ 1,4 bilhão para o Porto de São Luís, no Maranhão. A expectativa é de que o contrato de crédito com mais de um banco seja assinado até outubro, quando devem ser iniciadas as obras de construção de um dos maiores portos privados da região Nordeste.

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O valor total do investimento é de R$ 1,7 bilhão, sendo que o restante será colocado diretamente pela CCCC, que tem 51% do projeto, e pela WPR, braço de infraestrutura da Wtorre. A CCCC é representada no Brasil pelo Banco Modal, com o qual estabeleceu joint venture em 2014, tendo ainda o australiano Macquire como sócio. Procurado, o Modal não comentou. (com Luciana Collett)

Fonte: Estadão

Destravando o petróleo

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O otimismo do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, contrasta com o pessimismo do diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.

Em novo relatório da AIE, Birol afirma que “os próximos seis meses serão muito difíceis” para o setor de petróleo. “Será como dirigir na tempestade”, comparou, avaliando que o crescimento neste ano de 53% dos investimentos em gás de xisto nos EUA gera dúvidas sobre a eficácia do corte de oferta feito pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), para barrar a queda dos preços do óleo no mundo.

Em conversa com a coluna, Oddone elegeu 2017 como o ano que marca “a maior mudança da história do petróleo brasileiro desde 1954” – quando Getúlio Vargas criou a Petrobrás e a ela entregou o monopólio.

É certo que Birol fala de preços praticados no presente e nos meses próximos – pior para a indústria mundial, que vende para entrega imediata, mas também para quem investe. Já Oddone enxerga o futuro dos investimentos em exploração e produção, que vão ocorrer aqui entre 2017 e 2019 e que só começarão a enfrentar os preços de venda a partir de 2020. Um fala do presente; outro, do futuro; mas ambos do mesmo personagem – a indústria, que precisa acumular capital no presente para investir no Brasil também no presente.

A favor do entusiasmo de Oddone estão a queda no custo de produção, a rentabilidade e a qualidade do petróleo do pré-sal que o Brasil ofertará em nove rodadas programadas até 2019, duas delas marcadas para 27 de outubro deste ano. Em recente congresso em Istambul, o presidente da gigante francesa Total, Patrick Pouyanne, chegou a dizer para os investidores do mundo inteiro que “os campos em águas profundas no Brasil podem ser tão lucrativos quanto o gás de xisto”, incentivando os duvidosos a escolherem o nosso país.

Porém, ao marcar 2017 como o ano histórico de mudança desde 1954, o diretor da ANP desconsidera o boom de novos negócios no Brasil a partir de 1997, com o fim do monopólio da Petrobrás. Na época, dezenas de empresas desembarcaram aqui, gerando bilhões de reais em investimentos e milhares de empregos. A El Paso, do Texas, a maior dos EUA, comprou um prédio inteiro de 12 andares no Rio de Janeiro. Foi quando a produção de petróleo e gás começou a disparar de 900 mil barris/dia, em 1997, para 2,5 milhões na média neste ano.

Foi tudo por água abaixo, empresas saindo do País, perdas incalculáveis de empregos e nenhum investimento em exploração nos arrastados cinco anos, entre 2008 e 2013, que a ex-presidente Dilma levou para conceber a desastrada regulação da exploração do petróleo do pré-sal, que afastou investidores, não gerou riqueza nem empregos e ainda ajudou a mergulhar a Petrobrás na maior crise financeira e de endividamento de sua história.

Mas o otimismo de Décio Oddone procede. A lei destrambelhada de Dilma mudou, a Petrobrás não é mais obrigada a investir no mínimo 30% em cada poço e foram atenuadas as exigências de contratação de fornecedores no Brasil. Com isso começam a retornar investidores que saíram, nove licitações de áreas estão marcadas até 2019 e Oddone aposta em bem-sucedida disputa de consórcios nos dois leilões que vão ocorrer em outubro. “Estou há dois meses na estrada, percorri sete países, reuni-me com os mais importantes investidores e só vi entusiasmo e otimismo com o Brasil”, diz.

Ele conta que estava em Londres quando foi divulgada a gravação da JBS contra o presidente Temer. No dia seguinte falaria para uma plateia cheia de empresários. “Me preparei para o pior, mas nenhuma pergunta sobre a crise política. São investidores globais, tanto faz estar na Nigéria ou no Brasil”, argumenta.

Neto de um diretor-fundador da Petrobrás e por 25 anos funcionário da estatal, a obsessão de Oddone é trazer para o Brasil US$ 80 bilhões de investimentos com as nove rodadas programadas até 2019. Ele diz não temer demissão com o troca-troca de governos, porque seu mandato vai até janeiro de 2021 e garante que nesses cinco meses à frente da ANP não enfrentou nenhuma interferência política. “Se erro houver nos leilões, a responsabilidade é da ANP”, afirma.

Fonte: Coluna Sueli Caldas –  Estadão

Inace entrega primeiro dos quatro rebocadores encomendados pela Svitzer

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A Indústria Naval do Ceará (Inace) entregou o Svitzer Zoe, primeiro de uma série de quatro rebocadores encomendados pela Svitzer, que faz parte do grupo dinamarquês Maersk, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo. De acordo com o estaleiro, os modelos são azimutais e terão 60 toneladas de tração estática (bollard pull). Os rebocadores têm projeto básico Robert Alan Ltd (RApport 2400) e o projeto de produção é desenvolvido pela Inace.

Com 23,8 metros de comprimento total e 11 metros de boca, o Svitzer Zoe teve seu projeto e construção acompanhado e certificado pela sociedade classificadora norte-americana ABS. A embarcação, lançada em maio, foi batizada por Hatiana Ribeiro, uma das funcionárias da equipe da Svitzer.

O Inace destacou que a embarcação apresenta, nas suas acomodações e áreas de trabalho, níveis de ruído e vibração excepcionalmente baixos, sendo muito confortável para sua tripulação de cinco pessoas. O estaleiro também enfatizou que o Svitzer Zoe está sendo entregue dentro do prazo contratual.

Fonte: Portos e Navios

Petroleiras defendem proposta da ANP para flexibilizar conteúdo local

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O IBP (instituto que reúne as petroleiras) defendeu que R$ 240 bilhões em investimentos podem ser destravados se for adiante a proposta para a alterar o volume de conteúdo local nos contratos de licitações antigos, colocada em consulta pública pela ANP (agência reguladora do setor de petróleo) nesta terça-feira (18).

A proposta do governo de alterar o conteúdo local de contratos já vigentes atende ao pleito das petroleiras, mas desagrada os fabricantes de equipamentos. A consulta pública receberá sugestões à proposta, que traz para contratos de licitações antigas modelo de conteúdo local semelhante ao que será adotado em leilões futuros.

A principal diferença é que o cálculo pode considerar o investimento global em cada concessão, e não mais a partir de lista de itens definida pelo governo, modelo vigente entre a 7ª e a 13ª rodadas de licitação (de 2005 a 2015.

“Até 2015, esse modelo existiu. E o que aconteceu nesse período? Só um projeto conseguiu ser desenvolvido. Muitos projetos ficaram parados porque há uma série de desafios, mas o principal é o conteúdo local. Há um reconhecimento do fracasso do modelo anterior. O que hoje poderia estar gerando investimentos, movimentando a economia, ficou parado”, diz Antonio Guimarães, secretário-executivo de exploração e produção do IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo).

“Se, em média, as obrigações de conteúdo local na fase de desenvolvimento de 2005 a 2015 eram em torno de 55% a 65%, agora, na nova regra que o governo publicou, ele quebrou em três itens que dão, em média, 30% de conteúdo local. Praticamente caiu à metade o nível de obrigação, reconhecendo a impossibilidade de se cumprir aqueles objetivos”, diz Guimarães.

As petroleiras argumentam que a complexidade no cálculo dos índices de compra no país geram dificuldade para encontrar determinados equipamentos. O número de multas pelo não cumprimento do conteúdo local é crescente – 30% dos contratos fiscalizados geraram penalidade, em um valor total de R$568 milhões.

A ANP analisa 230 pedidos de isenção do compromisso, previsto para casos comprovados de falta de fabricantes nacionais ou preços muito altos no país.

DESEMPREGO

Os fabricantes de equipamentos, por sua vez, avaliam que a proposta representa quebra de contratos e pode desencadear desemprego na indústria nacional.

“Nós vamos continuar judicializando até onde for possível para fazer com que o governo entenda que essa medida vai gerar mais desemprego”, disse Sergio Bacci, vice-presidente do Sinaval (Sindicato da Indústria de Construção e Reparo Naval).

Ele diz que a indústria naval já perdeu 50 mil empregos desde 2014 e, com as novas regras, corre o risco de fechar definitivamente as portas.

“Os estaleiros que estão hoje com alguma obra em andamento ficarão sem nada quando essas obras acabarem, porque tudo passará a ser feito lá fora.”

José Velloso, presidente executivo da Abimaq (associação da indústria de máquinas e equipamentos) disse que a entidade também pretende ir à Justiça.

“Contratos foram celebrados, empresas ganharam concessão nos leilões da ANP e assinaram contratos”, disse. Qualquer decisão da ANP, que nós entendermos que está ferindo o contrato celebrado, nós vamos judicializar”, disse.

Guimarães, do IBP, discorda. “O Brasil já tem produção grande de equipamentos submarinos, árvores de natal, bombas de submarino e tubos flexíveis. É competitivo”, afirma.

Fonte: Folha SP