Monthly Archives: novembro 2016

Com venda no pré-sal, Petrobras paga US$ 1,25 bi de empréstimo com BNDES

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A Petrobras informou nesta segunda-feira (28) que pagou antecipadamente ao BNDES US$ 1,25 bilhão referentes a financiamentos tomados por sua subsidiária Transportadora Associada de Gás (TAG).

O dinheiro usado para o pagamento foi obtido com a venda da área de Carcará, no pré-sal, à norueguesa Statoil. A operação foi concluída no último dia 22.

“Essa é uma importante medida que vem sendo adotada pela Petrobras de utilizar os recursos advindos do programa de desinvestimentos para redução de seu endividamento”, disse a companhia, em nota oficial.

Carcará foi a primeira área do pré-sal vendida pela empresa, em uma transação que pode render até US$ 2,5 bilhões.

A primeira parcela, referente à metade do valor, foi paga este mês pela Statoil.

O restante depende de condições pré-estabelecidas no contrato, como a celebração de um acordo de individualização da produção —no qual Statoil e o governo negociarão como será explorada parte da jazida que se encontra em área da União.

Segundo o último balanço publicado, referente ao ano de 2015, a TAG tem uma dívida total de R$ 24,5 bilhões.

Os ativos da subsidiária foram divididos em duas empresas e incluídos no programa de desinvestimentos da estatal.

A primeira delas, Nova Transportadora do Sudeste (NTS), foi vendida à canadense Brookfield em setembro, por US$ 5,19 bilhões. A segunda, Nova Transportadora do Nordeste (NTN), está sendo negociada.

A Petrobras espera arrecadar US$ 34,6 bilhões até 2019 com o programa de venda de ativos. Segundo a empresa, os recursos serão utilizados para reduzir o seu endividamento.

Fonte: Folha de São Paulo/NICOLA PAMPLONA DO RIO

Com nova lei, Petrobras vai priorizar exploração dos melhores campos do pré-sal

Presidente Temer sancionou novo marco regulatório do pré-sal em evento que contou com o ministro Fernando Coelho e o presidente da estatal, Pedro Parente
Com a nova lei do pré-sal, a Petrobras vai priorizar o investimento nos melhores campos para garantir o melhor retorno para a companhia. A afirmação é do presidente da estatal, Pedro Parente.

“Vamos procurar os melhores campos, aqueles que a gente acha que vai trazer o maior retorno para (
) o benefício dos acionistas da empresa, lembrando que o maior acionista é o governo brasileiro, é a sociedade brasileira”, disse Parente, em entrevista ao Portal Planalto.

Parente considera positiva a nova legislação, que dá poder de escolha à Petrobras. Antes, a estatal era obrigada a participar em pelo menos 30% de qualquer bloco contratado sobre o regime de partilha, independentemente de ter recursos ou não.

Apesar de reduzir seus investimentos num momento de restrição fiscal, a Petrobras poderá utilizar seu conhecimento de geologia do pré-sal em campos “excepcionais”. A nova lei permitirá leilões de blocos mesmo se não houver interesse da estatal em participar.

“Quando a Petrobras não queria participar, o campo deixava de ir a leilão”, ressalta o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho.

O ministro espera bilhões de dólares em investimentos em leilões em 2017, com novas empresas interessadas em explorar petróleo da camada pré-sal. “Isso vai possibilitar novos investimentos de forma mais rápida, mais célere, gerando emprego e gerando renda para o País.”

Fonte: Portal Planalto

Petrobras anuncia investir R$ 32,2 bilhões no Espírito Santo até 2021

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O presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou na última sexta-feira (25) que o Espírito Santo vai voltar a receber investimentos da petrolífera e garantiu que nos próximos cinco anos serão R$ 32,18 bilhões em injeção de recursos no estado, seja para custeio ou seja para a realização de novos projetos.

A informação foi divulgada durante a abertura do 11º Encontro de Lideranças Empresariais, em Pedra Azul. O evento é realizado pela Rede Gazeta e reúne empresários, executivos, especialistas e autoridades para discutirem as perspectivas da política e da economia do estado e do país.

Durante o primeiro dia de encontro, Parente apresentou um panorama sobre a indústria petrolífera no Brasil e no mundo. Ele citou os desafios ligados ao preço do barril do Brent, ao excesso de estoque de petróleo no mundo, à elevação dos custos na indústria.

Parente também mencionou o desafio de superar a grande crise enfrentada pela Petrobras nos últimos anos, fruto da má gestão e da corrupção investigada pela Operação Lava Jato.

Foram divulgados os valores de desembolso do Planode Negócios para o Espírito Santo, que desde 2014 não são detalhados regionalmente pela estatal. O excecutivo comparou o plano atual, de 2017 a 2021, com o de 2012 a 2016.
“A previsão de dispêndios da Petrobras no Espírito Santo para os próximos cinco anos no plano é maior do que era previsto em cerca de 50%”, declarou.

Apesar da declaração, o presidente da petroleira não detalhou quais projetos vão ser priorizados. Mas a expectativa é de que uma plataforma de petróleo com capacidade para produzir até 180 mil barris de óleo equivalente entre em operação em 2021 no litoral Sul capixaba.
Sobre o polo Gás-Químico (UFN-IV), entretanto, não há nenhuma garantia. Parente não admitiu que o empreendimento em Linhares foi completamente descartado, mas indicou que o foco da empresa para os próximos cinco anos está limitado à exploração e produção de óleo e gás.
“A Petrobras lamenta que essas coisas [corrupção] tenham acontecido, mas é importante que as pessoas entendam que as metas previstas para a empresa foram elevadas muito para cima e os compromissos foram feitos tendo como base essas metas. Com isso, uma série de obras foram contratadas e a Petrobras gastou muito dinheiro com essas obras, que não produzem qualquer resultado para estatal. A gente ficou com a dívida. Temos que pagar e, por isso, é necessário o ajuste que estamos fazendo”, justificou.

Questionado sobre os rumores de que a sede da Petrobras em Vitória poderia ser desativada, Pedro Parente rebateu e afirmou que não existe essa possibilidade. “Não discutimos nada em nossa diretoria executiva sobre isso. Ela não sairá”, garantiu.
Novas regras
Saindo um pouco da agenda negativa, o gestor da Petrobras falou das perspectivas de atração de novos negócios para a indústria petrolífera com a mudança nas regras do pré-sal, e ponderou ainda como o plano de desinvestimentos pode ser alavancador da economia.

“Vejo como muito vantajoso para o estado que a Petrobras esteja colocando no seu programa de parcerias e desinvestimentos esses campos em terra, que não são o foco da empresa. Ao fazer esses desinvestimentos, estaremos atraindo investidores, empresários e empreendedores, inclusive locais, que colocarão recursos onde não investimos. Sobre as novas regras para exploração do pré-sal, vejo isso como algo positivo para o Brasil, para os estados e para a Petrobras. Com a situação financeira que a empresa vive, não temos os recursos para desenvolver os campos do pré-sal na velocidade que poderiam ser explorados”, declarou.

Fonte: A Gazeta/Beatriz Seixas

Operações vão crescer em 2017, diz consultor portuário

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As expectativas para a movimentação de cargas no Porto de Santos em 2017 são de crescimento. Mas os índices são discretos. Para o consultor portuário Fabrizio Pierdomenico, a previsão é de 2% de aumento nas operações do cais santista. Já as projeções do diretor-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Alex Oliva, apontam para um incremento de 3,5%.

Neste ano, a Autoridade Portuária estima que 114 milhões de toneladas devem passar pelo Porto de Santos, entre embarques e desembarques. Esta previsão leva em consideração a movimentação de cargas realizada entre janeiro e setembro e ainda as projeções para o último trimestre. Na comparação com as operações realizadas no ano passado, o volume tende a ser 4,9% menor.

Para o próximo ano, Pierdomênico aposta em uma projeção mais conservadora, levando em consideração o cenário econômico do País. Neste caso, ele aponta o crescimento de 2,5% nas operações com granéis sólidos, enquanto a carga geral deve cresce crescer 1,6% e o transporte de líquidos, 0,8%. “2017 será um bom ano. Melhor do que 2016. Mas a alta projetada do PIB (Produto Interno Bruto) é pouco para uma economia como a nossa”, destacou o consultor portuário.

Por outro lado, Oliva segue otimista e espera um melhor desempenho das operações. “Eu estou trabalhando com 3,5% de crescimento para 2017. Vamos ver quem ganha. Faço votos que seja eu”, afirmou. Pela expectativa do executivo, a movimentação de cargas no cais santista deve atingir 117,9 milhões de toneladas no ano que vem.

O diretor-presidente da Codesp leva em conta os sucessivos recordes de movimentação de cargas registrados nos seus últimos 11 meses de gestão. Além disso, ele aponta “o potencial e a capacidade” que o complexo santista tem de vencer dificuldades, diante de todos os problemas que foram enfrentados em 2016

Fonte: Tribuna online/FERNANDA BALBINO

Brasil é principal destino de capital chinês entre emergentes

O Brasil é a primeira destinação de aquisições de empresas pela China em economias emergentes e a terceira globalmente, neste ano, revela levantamento da consultoria de dados financeiros Dealogic, de Londres, para o Valor. Seis transações por parte dos chineses no Brasil totalizaram US$ 11,9 bilhões entre 1º de janeiro e 18 de novembro, mais do dobro da soma de dez operações realizadas em todo o ano passado no país.

As aquisições dos chineses no Brasil só são superadas pelas compras de companhias nos EUA (US$ 60,6 bilhões) e Suíça (US$ 48,8 bilhões), mas ficam acima dos negócios efetuados na Alemanha, principal economia europeia.
O Brasil atraiu 22,7% do volume de transações de US$ 52,4 bilhões efetuadas pelos chineses nos mercados emergentes neste ano. Quase tudo, cerca de US$ 10 bilhões, foi destinado a aquisições em “energia e serviços públicos” no país. Aparece em seguida o setor químico, US$ 1,7 bilhão.

O total de compras por empresas chineses na economia brasileira chega a US$ 39,6 bilhões entre 2010-2016. O movimento neste ano é significativo, porque Pequim passou a investir mais nos mercados desenvolvidos do que nos emergentes.

A Dealogic mostra que o total de fusões e aquisições chinesas no exterior já bate recorde este ano, com US$ 208,9 bilhões, um grande salto em relação a 2015. O volume está em linha com o plano anunciado pelo primeiro-ministro Li Keqiang, que prevê US$ 1 trilhão em investimentos diretos externos em cinco anos, tornando o país o segundo maior investidor direto, só atrás dos EUA.

No entanto, o grupo Rhodium, dos EUA, publicou estudo estimando que as estatísticas oficiais de investimentos chineses no exterior devem ser de duas a quatro vezes inferiores ao volume real.

Para o banco UBS, a recente hostilidade sinalizada pelo presidente eleito dos EUA contra estrangeiros pode frear o crescente apetite chinês por investimentos na maior economia do mundo. Recente relatório de um grupo do Congresso americano recomenda que Washington proíba a compra de companhias americanas por estatais chinesas. O protecionismo na Alemanha também bloqueou transações dos chineses. O governo alemão considerou que a China procurava acesso sobretudo a empresas de alta tecnologia, em detrimento da segurança nacional.

No entanto, o UBS aponta uma redução na parte dos investimentos externos feitos por companhias estatais chinesas, enquanto as privadas aumentaram negócios no exterior para se expandirem mais rapidamente também em novos setores, como turismo.

O governo brasileiro procura atrair mais capital chinês para os bilionários projetos de infraestrutura. Pequim diz ter interesse, o que pode significar aumento no fluxo de investimento externo direto para o Brasil nos próximos anos.

Fonte: Valor

União cogita mudança no cálculo dos royalties do petróleo

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O governo federal está aberto à proposta de mudança no cálculo dos royalties do petróleo, mas cogita negociar uma “troca” com o Estado do Rio de Janeiro, segundo fontes próximas ao Palácio do Planalto.

A ideia das autoridades na área energética, ainda embrionária, é avaliar com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) a possibilidade de extinção das taxas estaduais criadas em 2015 e que oneram as petroleiras.

Uma das taxas é a de fiscalização ambiental, que custa uma Ufir-RJ (quase R$ 3) por barril de petróleo. A medida buscava elevar a arrecadação do Estado em até R$ 2 bilhões, mas foi bloqueada pela Justiça. As empresas do setor ainda têm incertezas sobre o assunto e querem afastar definitivamente o risco de um custo adicional aos projetos em andamento.

Outro ponto é a cobrança de ICMS nas operações de transporte do petróleo e do gás natural desde os locais de extração até os depósitos das empresas. Para o governo federal, se o Rio eliminar essas incertezas, criaria um ambiente mais positivo para os leilões que devem ocorrer em 2017. Está prevista nova rodada de concessões em áreas do pós-sal e a segunda oferta de campos do pré-sal.

Na visão das autoridades em Brasília, a mudança no cálculo dos royalties pode até ser positiva para o mercado em determinadas circunstâncias, como quando os preços internacionais do barril caem demais. Hoje a cobrança tem como base um valor pré-definido, não nos preços efetivamente praticados.

A bancada fluminense de deputados federais ouviu do governo federal que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deverá analisar em sua próxima reunião, agendada para a primeira quinzena de dezembro, o pleito de mudança no cálculo dos royalties pagos pela indústria petrolífera. Os parlamentares alegam que o Rio deixa de arrecadar R$ 2 bilhões por ano, em média, e pressionam pela mudança como forma de aliviar a crise financeira do Estado.

Após reunião da bancada com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o deputado Alessandro Molon (Rede) disse ter saído com expectativas favoráveis. “O ministro demonstrou sensibilidade e sabe que esse debate precisa ser feito pelo CNPE”, afirmou.

Segundo o deputado, o ministério aguarda estudo da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre o assunto que deve ficar pronto até o fim deste mês. Apesar dos recentes movimentos pró-mercado anunciados pelo governo, Molon argumentou que não vê contradição em uma eventual mudança no cálculo dos royalties, vista com maus olhos pelas empresas do setor.

“O ministro percebe que essa é uma questão de justiça. O Rio tem o direito de receber os royalties pelos valores efetivamente pagos, e não por um preço mínimo pré-estabelecido”, disse Molon.

“Temos a disposição de ajudar não só o Rio de Janeiro, mas também outros Estados que estejam dentro do que está no nosso alcance”, afirmou o ministro, após participar da cerimônia de inauguração da primeira usina solar instalada em prédio público federal, em Brasilia. “Mas o governo tem interesse em manter o equilíbrio para não prejudicar demais a indústria do petróleo”, disse Coelho.

Fonte: Valor

Petrobras: venda da Liquigás contribui para meta de desinvestimento de 2016

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Com a venda da distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP) Liquigás para o Grupo Ultra por R$ 2,8 bilhões, a Petrobras se aproxima da meta de desinvestimento de US$ 15,1 bilhões no biênio de 2015 e 2016, afirmou nesta quinta-feira, 17, a gerente executiva de Aquisições e Desinvestimentos da estatal, Anelise Quintão Lara. Ela participou de teleconferência com imprensa para detalhar o contrato fechado nesta quinta-feira.

Segundo a executiva, a Petrobras vendeu até agora quase US$ 11 bilhões em ativos e espera alcançar a meta até o fim do ano, indicando que novos negócios devem ser anunciados até o fim de dezembro. O pagamento pela distribuidora de GLP, no entanto, só deve entrar no caixa da petroleira no fim de 2017.

“Estamos muito satisfeitos com a venda”, afirmou a executiva, que, durante a entrevista, reiteradamente ressaltou que o valor pago pela Liquigás ficou muito acima do esperado pelo mercado, ao mesmo tempo que atendeu às expectativas da Petrobras. A aquisição, no entanto, esbarra em limites concorrenciais, por conta da presença expressiva do Grupo Ultra neste mercado. Mas, segundo Anelise, o problema foi avaliado durante o processo de negociação da empresa e o Ultra se comprometeu a encontrar uma solução.

“A responsabilidade por resolver o problema concorrencial é do Grupo Ultra, que já está preparado para isso”, disse a gerente da Petrobras. Ela argumentou também que “qualquer uma das empresas do setor que comprasse a Liquigás poderia ser questionada pelo Cade”.

De acordo com a gerente da estatal, o processo de venda da Liquigás foi bastante competitivo e contou com a participação de 46 empresas brasileiras e estrangeiras, identificadas como potenciais interessadas e convidadas pela estatal a participar. A Liquigás é uma empresa “enxuta, tem performance boa e tem baixo nível de endividamento”, afirmou. Ela disse também que não há passivos relevantes a serem solucionados na empresa, inclusive trabalhistas.

A Liquigás conta com 3,2 mil empregados próprios, que não são ligados diretamente à Petrobras, e, segundo a executiva, devem permanecer na empresa. Ela disse também que o Grupo Ultra ao fechar o negócio adquiriu o direito de explorar a marca, indicando que o nome da distribuidora deverá ser mantido.

Fonte: Diário da Região

Petrobras quer autorização para buscar plataforma no exterior

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A Petrobras solicitou, no último dia 8, à Agência Nacional do Petróleo (ANP), autorização para contratar no exterior 100% da plataforma de produção (FPSO) para o Campo de Sépia, no pré-sal, na área de cessão onerosa da Bacia de Santos. Esta é a segunda vez que a estatal tenta obter a liberação do órgão regulador, o chamado waiver, para não cumprir o conteúdo local fixado em contrato.

O primeiro pedido foi feito em setembro e era referente à primeira plataforma para o Campo de Libra, no pré-sal, explorado no regime de partilha. A Petrobras não informa o que motivou a solicitação para Sépia, mas fontes próximas à negociação afirmam que os preços apresentados pelas empresas no Brasil eram mais de 50% maiores que o valor cobrado no exterior.

As duas unidades, para Libra e Sépia, têm previsão de entrada em operação em 2020. O contrato da Petrobras é para afretar (alugar) a plataforma. A princípio, a empresa vencedora deveria construir e operar a embarcação seguindo as regras de conteúdo local previstas nos contratos.

A autorização da ANP é necessária para evitar o pagamento de multa pelo não cumprimento dos compromissos previstos em contrato. O custo de uma dessas unidades varia no mercado internacional, mas técnicos estimam que o valor chega a US$ 1,2 bilhão.

Segundo fontes, durante a licitação da plataforma para Libra, as ofertas apresentadas vieram 40% acima do valor estipulado internamente pela companhia. O percentual de conteúdo local previsto para as duas plataformas foi fixado em 55%.

A iniciativa da Petrobras de buscar no exterior preços menores para as plataformas tem sido alvo de críticas pelo empresariado local. Um executivo do setor, que pediu para não ser identificado, disse que a estatal se comprometeu com um determinado percentual de investimento nacional na produção de bens e serviços e, portanto, deveria negociar com os fornecedores.

— A Petrobras está passando por cima como um trator. Por que não tenta negociar? As empresas convidadas para a licitação são estrangeiras que operam aqui, as mesmas que farão o serviço lá fora — reclamou.

Na disputa pela FPSO de Libra estavam empresas como Modec, SBM, BW Offshore e o consórcio Bluewater/Queiroz Galvão Naval. Concorrem pela embarcação de Sépia SBM, Modec e Bluewater/Queiroz Galvão Naval.

— Ocorreu forte retração nos investimentos no mundo por causa da queda dos preços do petróleo. Além disso, a Petrobras sentiu os efeitos do escândalo de corrupção revelado pela Lava-Jato. É natural que ela busque reduzir custos e investimentos. Agora, é preciso discutir o que o governo quer. A Petrobras vai buscar fazer projetos a custo menor ou vai ser a indutora da indústria nacional? E se for, terá alguma contrapartida? É preciso pensar nisso — avalia o advogado Paulo Valois, especialista em petróleo e gás da L.O. Baptista-SVMFA.

AGÊNCIA DIZ QUE PEDIDO ESTÁ EM ANÁLISE

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, indicou que o procedimento será similar ao de Libra.

— Eventualmente as motivações serão similares, e as tratativas, também — disse.

Procurada, a ANP confirmou ter recebido o pedido de isenção do cumprimento de conteúdo local para a FPSO de Sépia, que ainda está sob análise da área técnica. Caso a solicitação seja considerada procedente, será submetida à consulta e audiência públicas antes de ser apreciada pela diretoria. Segundo a agência, a avaliação do assunto em consulta pública é uma orientação da diretoria do órgão regulador para garantir “a transparência do processo e a oportunidade ao contraditório das partes afetadas”.

Em relação ao pedido de isenção de conteúdo local para plataforma em Libra, a ANP informou que solicitou à companhia o envio de informações complementares, que julga necessárias para concluir sua avaliação. Depois disso, o pedido será apreciado em consulta e audiência públicas, antes da área técnica elaborar uma recomendação para decisão da diretoria.

Fonte: O Globo

Petrobras vende Liquigás por R$ 2,8 bi

A Petrobras informou ontem à noite, em comunicado, que formalizou a venda da Liquigás para Ultragaz , subsidiária da Ultrapar Participações S.A., que pertence ao grupo Ultra. A notícia foi antecipada ontem no início da tarde pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

A estatal controla 100% do capital da Liquigás, que a atua no engarrafamento, distribuição e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido com gás de cozinha.

De acordo com a Petrobras, que adquiriu o ativo dez anos atrás, o valor total da venda corresponde a R$ 2,8 bilhões e será corrigido pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI), entre as datas de assinatura e de fechamento da operação. E que está sujeito a ajustes em razão das variações de capital de giro e da posição da dívida líquida da distribuidora no fim do ano passado o fechamento da transação.

Conforme a estatal a operação teve um processo competitivo de venda e faz parte do Plano de Desinvestimentos 2015-2016 e está alinhada ao seu Plano Estratégico, que visa otimizar o portfólio de negócios, com foco em óleo e gás, saindo integralmente das atividades de distribuição de GLP.

Lembrou que a transação ainda está sujeita à aprovação das assembleias gerais de acionistas da companhia, bem como da Ultrapar, e ao cumprimento de outras condições de praxe, incluindo a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (CADE).

Juntas, as duas companhias passarão a ter quase 45% do mercado gás GLP do país. Por isso, o negócio passará ao crivo do órgão antitruste, que devera pedir medidas – como venda de ativos em alguns mercados – que garantam uma livre concorrência.

A Liquigás, vice-líder do mercado, está presente em quase todos os estados do país. Segundo a Petrobras, conta com 23 centros operativos, 19 depósitos, uma base de armazenagem e carregamento rodoferroviário e uma rede de aproximadamente 4.800 revendedores autorizados. A Ultragaz, por sua vez, que tem a liderança em vendas no país, é a primeira distribuidora de GLP brasileira. Atende aproximadamente 11 milhões de domicílios no segmento envasado e 50 mil clientes no segmento granel.

Em comunicado, o grupo Ultra – que marca a sua segunda aquisição de ativos no ano, além de uma joint venture em lubrificantes – informou que até o julgamento da operação pelo Cade, as duas companhias manterão as suas operações totalmente separadas e seguirão atuando como concorrentes efetivas.

“A união permitirá que a estratégia de diferenciação e a excelência operacional da Ultragaz, além da sua capacidade de investimento, combinados com os ativos e com a qualidade da rede de revendas da Liquigás, proporcionem importantes ganhos de eficiência, como, por exemplo, em logística, na gestão administrativa e em práticas de operação”, destacou o Ultra no comunicado.

“O Ultra tem um compromisso histórico com o setor de GLP desde sua fundação e acredita no fortalecimento da economia brasileira”, disse, na nota, o presidente do Ultra, Thilo Mannhardt. A Ultragaz vai completar 80 anos de fundação em 2017. “A combinação de Ultragaz e Liquigás nos permitirá fazer cada vez mais e melhor para todos” disse diretor-superintendente da Ultragaz, Pedro Jorge Filho. A Liquigás foi fundada em 1953.

Fonte: Valor